16 de maio de 2010

Martyrs

Ontem a noite fiquei sem internet qd cheguei em casa por isso não pude postar...
Mas esse fds tive a dica de 2 amigos no twitter sobre um filme e resolvi assistir.

O filme é Perturbador, eu fiquei chocado. Fiz a crítica dele lá no Vai Assistindo, então leiam minha crítica :D E mais tarde tem post novo aqui no MEDO B!!!





Crítica no Vai Assistindo do Martyrs - AQUI

Minhas críticas para outros filmes - AQUI

Bons Pesadelos...

15 de maio de 2010

Paralisia do Sono

“Você está dormindo em sua cama... de repente, acorda, mas, para sua surpresa, não consegue se mexer... "o que está acontecendo?" você pensa, enquanto olha para seu corpo, imóvel na escuridão do seu quarto.
Enquanto isso acontece, você nota algo diferente. Então percebe: não está sozinho.
Pior, uma presença com forma humana esmaga seu peito. E ela é má.
Você acordou no mundo dos sonhos, e não há nada que possa fazer a respeito.”



Com freqüência, a paralisia do sono é vista pela pessoa atingida como nada mais do que um sonho. Isto explica muitos relatos de sonhos nos quais as pessoas se vêem deitadas na cama e incapazes de se mover. As alucinações que podem acompanhar a paralisia do sono tornam mais provável que as pessoas que sofram do problema acreditem que tudo não passou de um sonho, já que objetos completamente fantasiosos podem aparecer no quarto em meio a objetos normais. Alguns cientistas acreditam que este fenômeno está por trás de muitos relatos de abduções alienígenas e encontros com fantasmas.
Algumas pessoas dizem sofrer de paralisia corporal ao se deitarem para dormimr. Afirmam que, deitadas, perdem os movimentos e a capacidade de falar, ficando com o corpo pesado e preso à cama. Então ouvem vozes, escutam passos, vêem estranhas cenas ou pessoas e se desesperam. Por isso muitas vezes, a paralisia do sono é confundida com um pesadelo, o que nem sempre é correto. Pesadelo é um sonho terrível, já a paralisia é a imobilidade do corpo, a incapacidade de mover-se e de se levantar. É acompanhada por alucinações e, às vezes, por uma pseudo-asfixia.
Esse estado nos oferece a oportunidade de experimentar um tipo especial de sonho: o sonho lúcido. Nos sonhos normais, nunca percebemos que estamos sonhando, já nos sonhos lúcidos, o sonhador sabe que está sonhando e age de acordo com isto.

Sintomas

Paralisia: ela ocorre pouco antes da pessoa adormecer ou imediatamente após despertar. A pessoa não consegue mover nenhuma parte do corpo, nem falar, e tem apenas um controle mínimo sobre os olhos e a respiração.
Alucinações: Imagens e sons que aparecem durante a paralisia. A pessoa pode pensar que existe uma presença atrás dela ou pode ouvir sons estranhos. Algumas pessoas relatam também sentirem um peso no peito, como se alguém ou algum objeto pesado estivesse pressionando-o.

Estes sintomas podem durar de alguns poucos segundos até vários minutos e podem ser considerados assustadores para algumas pessoas.

Referências Culturais

Existem várias manifestações culturais em países diferentes que tratam do fenômeno da paralisia do sono.
Na cultura Hmong, é descrita uma experiência chamada “dab tsogou” ou "demônio apertador". Frequentemente, a vítima afirma enxergar uma figura pequena, menor que uma criança, sentando em sua cabeça ou peito.
No Vietnã, chama-se “ma de”, que significa "segurado por um fantasma", já que lá acreditam que fantasmas entram no corpo das pessoas, causando a paralisia.
Na China, são as “guǐ yā shēn ou guǐ yā chuáng”, que quer dizer “corpo pressionado por um fantasma" ou "cama pressionada por um fantasma".
Na cultura japonesa, a paralisia do sono é conhecida como “kanashibari”, que significa literalmente "atado ao metal".
Na cultura popular húngara é chamada “lidércnyomás” e pode ser atribuída a um número de entidades sobrenaturais como aparições, bruxas ou fadas.

Técnica para se ter a Paralisia

Evite comer a noite e deite de barriga pra cima, com os braços estendidos ao longo do corpo.
Procure escutar o som do seu coração, se concentre nele e imagine-o pulsando na ponta do nariz.
Quando senti-lo mesmo na ponta do nariz, passe a senti-lo na orelha esquerda, nas pontas dos dedos da mão esquerda, dedos do pé esquerdo, pé direito, dedos da mão direita, orelha direita, e novamente no nariz.
Nesse momento, você já começa a ver imagens dos sonhos, só tome cuidado para não dormir e se concentre nas imagens que você está vendo. É provável que você passe para o sonho lúcido.
O sono induzido através de medicamentos também contribui para a Paralisia.


Bons pesadelos...

14 de maio de 2010

Noite oficial dos ovnis no Brasil

19 de maio de 1986

Vão fazer 24 anos que 21 ovnis apareceram nos céus brasileiros...
A Aeronáutica foi atrás de alguns objetos sem sucesso, mas não tiveram como negar o acontecimento.

Alguns programas atrás o fantástico teve a primeira declaração oficial do exército sobre um caso ufológico!
Vejam...





Se a alguns anos atrás confessaram, pq negam agora ?


Dica da Mell, xoxo =**
Bons Pesadelos...

11 de maio de 2010

MEDO C - Zumbis



MEDOCAST no ar!!! Ao morto para todo Brasil \o/

Nesta edição falamos sobre os mortos-vivos, filmes, livros, e da onde veio essa história toda ?
Reparem no Magal acho q ele ficou com medo, ou então ficou enjoado com o cheiro de podre...

Ajeitem os fones e/ou a caixa de som!!! O show já vai começar...

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Assunto:
Zumbis

Participantes: MEDO(@medo_b), Magal (Animerda), Birigui(@BIRIGUI_NINJA), Nicolas(Arquivos Sobrenaturais)

Edição Especial: Celso (Sir-Ney)





MEDO C MP3 - Disponível em download para você escutar no seu celular, Ipod, MP3-Player, rádio. A noite antes de dormir, na fila do banco, indo pra facul/col...
Email do MEDO B/C: jmpomo@gmail.com


Bons Pesadelos...

Piranhas

A piranha é uma espécie de peixe de porte pequeno - médio que vivem em rios de água doce da América Latina (Como, por exemplo, o Rio Amazonas). São carnívoras, comem peixes menores, sapos... seres humanos.





As piranhas possuem uma má fama que data de séculos atrás. Quando a amazônia ainda era explorada. Dizem que elas podem comer um homem adulto vivo, ou devorar uma vaca em segundos (Originando, aí, a lenda do Boi de Piranha: As piranhas sobem o rio em alta velocidade e atacam o primeiro boi que atravessa o rio, dando passagem aos outros.). As lendas são mais relacionadas a piranha de barriga vermelha, que é a espécie mais “brava” e a maior do peixe.








As piranhas tornaram-se uma das espécies de peixe mais temidas do mundo. Graças à uma declaração dada pelo então presidente dos Estados Unidos Theodore Roosevelt, que, apaixonado por explorações e aventuras, fez uma visita ao Brasil, onde ouvira a lenda de um pescador local, que chegou a enganá-lo mostrando que as piranhas devoravam vacas inteiras rapidamente (Na verdade ele - o pescador - prendeu várias piranhas em uma rede, deixando-as furiosas e famintas, soltando-as após lançar a carcaça de uma vaca no rio).



O presidente descreveu as piranhas em seu livro de 1914 “Através do Brasil Selvagem”:


"Elas são os peixes mais ferozes do mundo. Até mesmo os mais formidáveis peixes, os tubarões, ou as barracudas, geralmente atacam coisas menores que eles próprios. Mas as piranhas habitualmente atacam coisas muito maiores que elas.
Elas vão arrancar um dedo fora de uma mão na água; mutilarão nadadores - em toda cidade ribeirinha no Paraguai existem homens que foram mutiliados; elas irão render e devorar vivos qualquer homem ou besta feridos;
sangue na água as excita até enlouquecerem. Elas irão rasgar galinhas selvagens feridas em pedaços; e morderão fora as caudas de peixes grandes enquanto crescem cansados de lutar contra anzóis.

Mas a piranha é um peixe de corpo pequeno, com um rosto liso e com mandíbulas pesadas, projetadas, que se abrem totalmente com facilidade. Os dentes em forma de lâmina são como os de um tubarão, e os músculos da mandíbula possuem grande força.
A pressão irracional leva os dentes através de carne e osso. A cabeça com seus pequenos açaimes, olhos malignos e penetrantes, e mandíbulas cruelmente armadas, é um símbolo da ferocidade do mal; e as ações do peixe combinam com sua aparência.
Eu nunca testemunhei uma exibição tão impotente, a fúria selvagem foi apresentada pelas piranhas assim que elas surgiram no deque. [...]

Elas são as pestes das águas, e é necessário ter extrema cautela quando se trata de nadar ou vadear onde elas são encontradas. Se o gado é levado, ou por vontade própria, entram na água, normalmente eles não são maltratados;
mas se “por sorte” alguma espécie anormalmente grande ou feroz desse peixe temível morder o animal - arrancando parte da orelha, ou quem sabe um naco da barriga de uma vaca - o sangue trará cada membro dessa multidão violenta que estiver por perto, e a não ser que o animal atacado possa escapar imediatamente da água, ele será devorado vivo."



Esse fato fez a fama das piranhas ganhar o mundo. Levando-as para livros e, claro, para o cinema!



Site viral do Filme PIRANHAS 3D: http://www.thewildwildgirls.com/


Apesar de várias das lendas sobre as piranhas já terem sido desmentidas (Piranhas não comem pessoas, gente, sosseguem!...E nem vacas inteiras, a não ser que o grupo seja ENORME), a fama desses peixes continua vagando o mundo. Há vídeos na internet que mostram a veracidade delas, bem como fotos dos dentes e da sua “cara de má”.


Discuti muito com a Hika sobre postar ou não esse video. Estou postando mas só aconselho a ver quem gostar disso. No video tem um aquário de Piranhas e elas são alimentadas com um sapo vivo...



E a Hika dizendo que eles não comem gente u.u... Tem Coragem de colocar a mão no aquário ???






Post do MEDO B e da HikaCheshire
Bons Pesadelos...

10 de maio de 2010

Fotografias de Francois Robert contra a violência

Francois Robert é um fotógrafo Suíço que faz sucesso nos EUA.
Para chamar atenção contra violência ele fez uma coleção de fotos chamadas "Stop the Violence".
Ele comprou ossos humanos e montou símbolos que resultam em viôlencias no mundo. Os símbolos de armas, religiões... chegam a 2 metros, e o Francois demorou quase um dia pra montar cada foto!

Vejam as fotos dele e "STOP THE VIOLENCE"!



































Dica do leitor BlowBlack
Já conheceram a nova loja parceira do MEDO B ? ErosMania (É para maiores de 18 anos crianças)
Bons Pesadelos...

9 de maio de 2010

O Lençol - Mário Carneiro Jr.

Todos já conhecem aqui o Mário(que faz as resenhas dos livros). Dessa vez ele aparece aqui não para criticar, mas sim para mostrar uma de suas histórias, e deixar agora a crítica por conta de vocês... Leiam esse conto, prefiro não falar nada para não influenciar, depois comentem o que acharam...

Ele chama esse conto de...







Boa noite, minha querida. Já está confortável debaixo de suas cobertas? Bom, então vou contar a história que prometi.

Aconteceu quando eu tinha mais ou menos sua idade, uns doze anos, quase treze. Eu dormia exatamente como você, sabia? De barriga pra cima e coberto da cabeça aos pés. Meu pai dizia que eu ficava parecendo um morto no necrotério. Ah, papai... Foi por causa dele que tivemos que sair de Curitiba e nos mudar pro interior. Motivos profissionais.

Bom, a cidadezinha era legal até, muito bonita e arborizada, tinha bastante espaço pra andar de bicicleta e tudo mais. Mas também tinha lá seus problemas, tipo, no começo as pessoas olhavam pra mim como se eu fosse um alienígena. Nada pessoal, qualquer um que vinha de fora recebia o mesmo tratamento caloroso. Demorei pra fazer amigos e... Ah, eu já contei isso antes, né? Esquece, vamos voltar ao principal.

O maior problema daquele lugar era o clima, muito mais quente do que eu estava acostumado. As noites abafadas não traziam alívio. Eu queria deixar o ventilador ligado no máximo em minha direção, mas mamãe não deixava. Dizia que eu ficaria doente, então me obrigava a mantê-lo virado pro outro lado, apenas para circular o ar. Estávamos sem dinheiro para comprar um ar condicionado, e ficar com a janela aberta estava fora de questão. Mania de cidade grande, deixar tudo fechado.

Continuei dormindo do mesmo jeito, todo encoberto. Eu já não acreditava que algo agarraria meu tornozelo se ele ficasse para fora, porém o hábito de infância estava enraizado. Pra não morrer cozido, tive que substituir os cobertores por um lençol. Mesmo assim ainda esquentava bastante, eu dormia mal e acordava encharcado de suor.

Então, numa noite que fazia a gente acreditar em coisas como combustão humana espontânea, resolvi largar aquele hábito idiota de uma vez por todas. Porém, ficar com o corpo inteiro descoberto seria um passo muito grande, então deixei apenas a cabeça e os braços para fora. Aliviou o calor um pouquinho. Já era alguma coisa, mas por outro lado, comecei a me sentir incomodado, vulnerável. Como não precisaria acordar cedo na manhã seguinte – era noite de sábado pra domingo – resolvi insistir naquilo, até que finalmente consegui.

Consegui perder o sono.
Fiquei deitado de olhos abertos, pensando em como a vida podia ser um chute no saco de vez em quando. E assim fiquei durante um tempão, até perceber um movimento vindo do armário. Parecia que uma das portas estava se abrindo.

De início, achei que era um vento mais forte passando entre as frestas da janela, mas as cortinas estavam paradas. Fiquei olhando na direção da porta como se estivesse hipnotizado, a abertura ficando cada vez maior. Comecei a ficar com medo, e me cobri inteiro com o lençol.

Não é nada, pensei, isso acontece de vez em quando. Portas que não estão bem fechadas acabam se movimentando sozinhas. Sim, eu repetia esse pensamento sem parar, mas não conseguia afastar aquela impressão cada vez mais forte.

A sensação de que alguém havia saído de dentro do guarda-roupa, e agora estava parado ao meu lado.
Fiquei imóvel, tentando não respirar ou emitir qualquer som, o coração batendo tão forte que chegava a ser doloroso. Assim permaneci durante um bom tempo, até a sensação acabar.
Não tive coragem de conferir se aquilo havia ido embora. Só quando a luz da manhã atravessou as fissuras da janela, consegui adormecer.

Acordei com minha mãe chamando para almoçar. Tirei o lençol do rosto e olhei pra porta que havia visto se abrir durante a noite. Estava fechada. Puxei-a após um momento de hesitação, e como você deve imaginar, não havia nada ali dentro. Minto, havia camisetas e calças penduradas, nada que me deixasse propenso a fugir gritando. À luz do dia, foi muito fácil concluir que havia imaginado tudo.

Quando a noite chegou, eu já não tinha tanta certeza.
Mas não podia falar nada pros meus pais. Papai me daria uma bronca, afinal eu estava velho demais pra ter medo do bicho-papão, e mamãe confiscaria todos os meus gibis de terror. Aqueles antigos, sabe, tipo “Histórias Reais de Drácula” ou “de Lobisomem”... Mais uma vez revistei o armário inteiro, à procura de qualquer coisa estranha. Não encontrei nada, e pra mim estava ok.
Apaguei a luz e fui pra cama, me cobrindo todo. Tá, não havia nada para me preocupar, mas já havia perdido a vontade de abandonar o costume. Além disso, aquela noite estava menos quente, dava pra dormir numa boa. Dormi mesmo, só que acordei com sede durante a madrugada. Sempre deixava um copo de água no criado mudo, mas agora estava meio receoso de estender o braço para pegar. Fiquei nessa dúvida até a secura em minha garganta se tornar insuportável, então tirei o lençol do rosto e olhei pro armário, só pra me certificar que estaria fechado.
Não estava.

Fiquei imóvel, olhando para a porta até meus olhos se acostumarem com a escuridão. Sim, não havia dúvida, estava entreaberta, mas e daí? Dessa vez eu não estava assustado! Bom, não muito. Sentei na beirada da cama e fiquei parado por alguns momentos, tomando coragem para ficar em pé e fechar aquele maldito guarda-roupa. Isso acabaria com meu medo de uma vez por todas. Respirei fundo e levantei, caminhando rápido até o móvel aberto.
Quando comecei a empurrar a porta, uma mão pálida saiu lá de dentro e tentou agarrar meu pulso.

O que aconteceu no instante seguinte eu não lembro. Lembro apenas de estar novamente em minha cama, escondido embaixo do lençol. Sim, teria sido mais inteligente correr até o quarto dos meus pais, mas naquela hora não pensei em mais nada, estava aterrorizado. De maneira frenética, testei com os pés se o lençol ainda estava bem preso embaixo do colchão, e cerrei os punhos sobre a beirada que cobria minha cabeça. Antes que tivesse tempo de negar o que havia visto, senti que o fantasma vinha em minha direção. Não, não estava vendo ele, mas sua presença era tão intensa que dava no mesmo. Eu queria gritar, mas estava paralisado.

Aquilo estava chegando cada vez mais perto, com os braços estendidos.
Minha bexiga se soltou, acrescentando vergonha ao terror absoluto. Cerrei os dentes, esperando o momento em que aquelas mãos de cadáver iriam me arrastar pra fora da cama. Elas já estavam a centímetros do meu pescoço...
E então pararam.
A coisa ficou imóvel durante um longo tempo, depois afastou os braços e começou a caminhar ao redor da minha cama.

Procurava alguma coisa, talvez uma parte desprotegida.
Isso me deu esperanças, achei que se estivesse totalmente coberto, a assombração não conseguiria me pegar. E assim esperei, na expectativa, a garganta tão seca que chegava a doer. Eu tremia e soluçava baixinho, rezando para aquilo ir embora. Se funcionou eu não sei, pois em algum momento perdi os sentidos.

Acordei na manhã seguinte, com meu pai chamando para ir à escola. Pulei da cama e o abracei, chorando, sem me importar se levaria bronca ou não. Criança é tão boba... É óbvio que meu pai não brigou comigo, apenas me abraçou bem forte e perguntou o que havia acontecido. Mamãe também despertou e fomos todos pra cozinha, onde contei tudo. Nossa, eles foram tão legais, me acalmaram e disseram que havia sido um pesadelo, essa coisa básica, mas em compensação não me trataram como aqueles pais idiotas dos filmes de terror, que negam tudo até ser tarde demais. Deus, como sinto saudades deles...

Revistaram o quarto junto comigo, e nem falaram nada sobre o cheiro de urina em minha cama e pijama. Claro, não encontramos nada de anormal, mas eu ainda estava alarmado. Mamãe disse que eu poderia dormir com eles até meu medo passar. Adivinha se não aceitei?

Como não compartilhavam da minha mania de dormir coberto, tive que me enrolar inteiro no meu lençol. Papai disse que eu já não era mais um morto no necrotério, e sim uma múmia. Bom, você pode achar que tudo ficou bem, agora que eu estava no meio de dois adultos, certo? Quem me dera.

Naquela mesma noite, o fantasma retornou.
Saiu do guarda-roupa dos meus pais, provocando um rangido abafado na dobradiça, depois ficou me rondando com avidez. Aterrorizado, comecei a dar cotoveladas na minha mãe, tomando cuidado para não sair do meu casulo. No momento que ela acordou, senti aquilo indo embora. Mamãe acendeu o abajur, olhou pelo quarto – o armário estava fechado de novo - e me garantiu que não havia nada ali.
Assim que ela voltou a dormir, escutei aquele rangido de novo. Acordei-a de novo e tudo se repetiu, com a diferença de que agora havia uma leve impaciência em sua voz. Tentei despertar meu pai na outra vez, mas ele tinha um sono pesado demais. Resignei-me e esperei quietinho, até a aparição desistir.

Aquilo se repetiu por muitas noites. Meus pais insistiam que eu estava sonhando, ou então era o medo me fazendo ver coisas que não existiam. O medo podia fazer a manga de uma camisa ficar parecida com um braço, que tentava puxar a gente para um lugar escuro. Fazia sentido pra eles, e eu me desesperava por não poder provar que estavam errados.

Comecei a sofrer de insônia, queria que a luz ficasse acesa, me recusava a voltar ao meu quarto. Meus pais foram ficando cada vez mais preocupados, achando que aquela fase não era tão passageira quanto supunham. Fizeram minha vontade e tiraram o guarda-roupa do quarto deles. Eu lembro bem dessa noite, porque fiquei mais relaxado e até me arrisquei a dar uma espiada fora do lençol. O abajur estava aceso e fiquei passando os olhos por todo o recinto, na expectativa. Estava quase me cobrindo de novo, quando percebi alguém escondido atrás da cortina.
Ah, dessa vez eu consegui gritar. E como.

É óbvio que não havia nada lá quando meus pais acordaram, e no dia seguinte, me levaram a um psicólogo. Ele disse umas coisas interessantes, que eu estava estressado com a mudança de ambiente e com a solidão, além disso era normal ter medo naquela idade. À medida que fosse crescendo, meu temor iria diminuir de forma gradativa. Nisso ele estava certo, mas demorou algum tempo.

Todas as noites antes de deitar, eu precisava conferir obsessivamente se meu cobertor estava bem preso embaixo do colchão, com medo que se soltasse durante a noite. Nos mudamos de casa e eu ganhei um quarto sem móveis ou cortina, apenas minha cama. Desolado, descobri que o visitante noturno não precisava de nada disso para me encontrar, embora tivesse uma estranha preferência por guarda-roupas.

As noites de terror só acabaram quando comecei a tomar remédios para dormir. Coisa forte mesmo, tarja preta. Logo que eu engolia os comprimidos, corria pra cama e me enrolava em meu escudo de tecido, então esperava aquele doce torpor me envolver.

Os meses foram passando e arranjei alguns amigos. Aquela história de “medo pregando peças” parecia cada vez mais verossímil. Os anos vieram sem eu perceber, minha voz engrossou e comecei a me interessar pelas garotas.

O fantasma era apenas uma lembrança distante quando comecei a diminuir a medicação.
Ainda acordei algumas madrugadas com a impressão de não estar sozinho, porém era bem mais tênue dessa vez. Bastava pensar em outra coisa, e aquilo acabava. Meu temor foi enfraquecendo aos poucos, então um dia, sem mais nem menos, a sensação acabou para sempre.
Eu havia crescido.

Continuei dormindo todo encoberto, mas isso era novamente um hábito, não uma compulsão. Entrei na faculdade e fui morar numa república de estudantes. Agora, eu só lembrava das minhas aventuras de infância quando alguém da roda começava a contar histórias de terror. Eu contava minhas experiências - sempre omitindo o fato de ter mijado na cama - e meus relatos faziam bastante sucesso. Mas eu acho que a Carol nem prestou atenção. Ela era minha namorada na época, e foi ela que levantou meu lençol na primeira noite que passávamos juntos. Lembro de acordar meio sonolento com ela perguntando “por que está dormindo desse jeito, seu bobo?”.
O fantasma agarrou meu pescoço antes que eu tivesse tempo de responder.

Puxou-me pra fora da cama e começou a me arrastar em direção à porta do armário, num pesadelo cego de luzes apagadas. Minha namorada berrava de forma histérica, sem entender o que estava acontecendo. Eu esperneava e lutava em pânico, sem conseguir me livrar dos dedos gelados que esmagavam minha traquéia. Ainda tentei me segurar na beirada do guarda-roupa. Farpas entraram na minha mão e duas ou três unhas se quebraram, sendo arrancadas da minha carne. Nem me importei com a dor, só queria escapar.

Não adiantou.
Quando senti o tecido das roupas deslizando por meu rosto, desmaiei.

Desmaiei ou morri.

Não sei quanto tempo fiquei inconsciente, só lembro que quando abri os olhos, havia apenas escuridão. No instante seguinte, escutei o grito da assombração que me trouxera até ali. Estava me procurando. Fugi para bem longe, até os urros de frustração se tornarem meros sussurros ecoando nas trevas.

Vaguei durante muito tempo sozinho, gritando por socorro. Muitas vezes ouvi outros pedidos de ajuda, na maioria com vozes de crianças. Em outras ocasiões, escutei apenas berros insanos. Nunca encontrei ninguém. A solidão se tornou desesperadora e já estava quase enlouquecendo, quando bati em algo. Parecia a porta de um guarda-roupa.

Empurrei e cheguei aqui, no seu quarto.

Desde então, volto todas as noites. Sei que não pode me escutar, mesmo assim eu converso com você para espantar minha própria solidão. Vejo pelas fotos que está crescendo rápido. Não cometi o erro de ser visto, então logo você não sentirá mais minha presença. Vai concluir que eu não existo, aí será só questão de tempo para que abaixe o cobertor, deixando seu pescoço ou braço desprotegido.

Serei mais inteligente do que a coisa que me raptou.

Quando eu te puxar para dentro do armário, nunca mais vou te soltar.



FELIZ DIA DAS MÃES :)
Bons Pesadelos...