Fantasmas do Japão.

Sempre que posto fotos ou videos do Japão vem aquele comentário "Porque só tem fantasma no Japão e UFO no México ?" Então vou explicar a primeira delas. Aliais... eu não! Com o MEDO B tive o prazer de conhecer pessoas interessantes que gostam e ajudam muito o blog! Uma delas é minha leitora Raquel, qs uma Japonesa ela me ajuda traduzindo os posts do lado de lá :)
Como ela conhece bem a cultura Japonesa pedi a ela para me explicar o que são os fantasmas para os Japoneses... Então com a palavra, Raquel :D




Desenho que retrata a visão generalizada dos fantasmas para os Japoneses - Toriyama Sekien



Oi gente. :)
Bem, em primeiro lugar gostaria de me apresentar rapidamente. Meu nome é Raquel, tenho 19 anos, sou leitora assídua do MEDO B e estou aqui pra contribuir um pouco com o conhecimento que tenho sobre fantasmas e espíritos japoneses.
Morei lá durante nada menos que nove anos e, entre conversas com japoneses, lendas e tradições que ouvi na escola e coisas que li pela internet e vi em programas na TV, fiquei sabendo de um bocado de coisas no mínimo interessantes sobre eles.

Há uma teoria, embora esta seja apenas uma teoria, de que o motivo pelo qual o Japão é tão assombrado é que as pessoas, desde muito tempo atrás, se vêem obrigadas a reprimirem emoções, desejos e hábitos, muitas vezes por seu governo, outras por costumes, ou em alguns outros tantos casos, timidez. Japoneses não são como muitos pensam extrovertidos e emocionalmente livres. Embora o visual revele audácia, no quesito comportamento eles são receosos, como se temessem expor demais suas emoções. E em consequência disso, vivem uma vida vazia, pouco alegre, baseada em satisfações materiais que naturalmente não levam à nada. Quando morrem, permanecem na terra seus espíritos, vagando infelizes, apegados a algum objeto ou assombrando outras famílias mais ligadas à afeto, amor fraternal e etc. Que fique claro que não estou generalizando os japoneses. Muitos são como nós, brasileiros, que vivemos "intensamente", dizendo e fazendo o que nos "dá na telha" sem medo de represálias, mas são ainda assim pouquíssimos.
A maioria dos leitores já sabem, mas "Jyuon", "The Grudge", ou (como é mais popularmente conhecido no Brasil) "O Grito", do diretor Takashi Shimizu, é baseado no folclore japonês que diz: "Quando uma pessoa morre envolto em uma emoção de extremo ódio, tristeza ou rancor, uma maldição é criada, e quem se depara com ela acaba sendo arrastado pelo mesmo caminho, consumido pela fúria do espírito." E acredite, esses espíritos estão presentes em lugares muito mais comuns do que se pensa. Mais ou menos na metade do ano de 2007, uma onda de suicídio entre os jovens assustou o país, tornando-se uma polêmica bastante discutida nos jornais. Crianças de oito anos até adolescentes, por volta de seus dezessete, dezoito anos, estavam se matando enforcados, ou se jogando do alto dos prédios de suas escolas ou simplesmente se atirando nas linhas dos trens. O motivo, embora pareça insuficiente pra atitudes tão radicais, era: descriminação. E não me refiro apenas à descriminação racial; às vezes, apenas porque o aluno era mais pobre, ou mais estudioso, ou porque não gostava de esportes, turminhas começavam à atormentá-lo dia após dia na escola. E isso bastava. Alguns denunciavam esses alunos aos professores, que encaravam como "coisa de criança", outros mantinham isso pra si, até o ponto em que tudo se tornava insuportável e finalmente, eles tomavam a decisão mais (pelo menos em suposição) eficaz: acabar com a dor da forma mais rápida.
O suicídio é algo tão antigo quanto as tradições orientais. Aposto que você já deve ter ouvido falar do harakiri, certo? O harakiri (seppuku ou também kappuku), 'nascido' na era Heian é a maneira mais famosa de suicídio no Japão. É um ritual suicida onde os guerreiros samurais enfiavam seus punhais na barriga, evitando assim cair na mão de inimigos de batalha e sofrerem outros tipos de torturas ou, em casos que envolviam suas honras, lavá-las. Um guerreiro que cometia harakiri era considerado extremamente corajoso e tornava-se famoso pelo ato, já que é uma forma extremamente dolorosa de suicídio, podendo levar de horas até dias para sua morte. O primeiro guerreiro a cometer harakiri foi Minamoto No Tametomo, e desde então o ato 'popularizou-se'.
Como se vê, suicídio não é tão tabu no Japão quanto o sexo, por exemplo. É cometido com muito mais frequência, por pessoas de todas as idades, o que na opinião de muitas pessoas sensitivas e espíritas que já conheci lá, é o principal motivo de o país ser tão carregado e assombrado.
E não podemos nos esquecer também de Hiroshima, onde segundo dizem é o local com a maior concentração de espíritos e fantasmas, como todos já sabem, por causa do atentado, que matou milhares de civis inocentes, que permanecem por lá vagando entre os vivos, sem destino.
Dentre tantas peculiaridades sobre fantasmas, lembro-me de uma vez em que ouvi uma senhora japonesa vizinha de nosso apartamento dizer: "Não se preocupe com os fantasmas que vagam entre nós durante o inverno. Eles são inofensivos. Os mais perigosos são os que vagam durante o verão." O porquê é relativo. Há quem diga que é porque no verão (que no Japão equivale à metade de junho até agosto) eles se agitam mais por causa das festividades, férias escolares e claro, pelo "Yuurei no Hi" (Dia dos Fantasmas), que é celebrado no dia 26 de Julho, próximo ao "Obon" (Dia dos Mortos), que é comemorado entre os dias 13 e 15 de Julho em algumas regiões, e em outras, em meados de Agosto. Durante o Obon, diz-se que os espíritos dos antepassados retornam à este mundo para reunirem-se à seus familiares. É exatamente nessa época em que os japoneses costumam visitar os túmulos de seus entes, o que no Brasil, equivaleria ao Dia de Finados.
Algumas curiosidades:

- Várias pessoas dizem sentir um "peso sufocante" no tórax à noite, quando vão dormir. Em quase todos os casos, isso ocorreu após elas terem mudado os móveis do cômodo de lugar. Sensistivos e espíritas explicam que é porque às vezes, os móveis interpõe-se no caminho dos espiritos, impedindo suas passagens, e assim eles assombram a pessoa noite após noite até que o móvel ou objeto em questão seja retirado do caminho.

- Andando pelas ruas japonesas não é raro avistar casas grandes (e em alguns casos até mesmo luxuosas) abandonadas. Algumas até possuem a chave da entrada na fechadura, como se esperassem por alguém. Mas muito cuidado se você encontrar uma assim: provavelmente ela foi abandonada por ter algum espírito maligno que a habita ou por ter ocorrido um assassinato em seu interior e por isso, é um local extremamente assombrado.

- Japoneses acreditam que bonecos possuam o stigma de seus donos. Se o dono tiver uma vida triste e cheia de más lembranças, isso automaticamente será transmitido ao boneco, que irá proporcionar a mesma vida a seu próximo dono. (Boneca Okiku)

- Antigamente todos os corpos eram enterrados sentados em suas covas para ocuparem menos espaço nos cemitérios.

- É costume em algumas famílias ficarem com os restos do cadáver que não carbonizaram no crematório.

- Nem todas as aparições de rostos ou imagens inexplicáveis em fotos são de fantasmas. Em alguns casos, paranormais afirmam que o que se vê nas fotos é na verdade a alma de uma pessoa ainda viva que se desprende temporariamente do corpo, transportando-se para lugares onde teve memórias intensas que estão sendo vividas por outras, que atraem a alma através de suas energias similares. No Japão isso ocorre com frequência, especialmente em ambientes de grande fluxo de pessoas.

- Dizem que os lugares mais assombrados do país ficam, em sua maioria, em Hokkaido, norte do Japão.



Capa do livro "Os 100 lugares mais assombrados do Japão"


Aqui temos um video, selecionado pela Raquel, de um programa Japones de casos Sobrenaturais. Nesse episódio: FOTOS FANTASMAS...



Bons Pesadelos...
PS: Nada de fantasmas por 1 mês ;)