12 de novembro de 2013

The Act of Seeing With One’s Own Eyes - O filme mais assustador já feito?



Descrever o que faz um filme de terror é semelhante a explicar uma piada – Se você precisar fazer sempre, não será muito convincente. O medo é algo muito pessoal, e, portanto, também contingente: Todo mundo responde de formas diferentes, a coisas diferentes, por razões diferentes. Se você tem medo de palhaços, sem dúvida terá medo de “It”. Se bonecas te causam terror, você certamente vai querer ficar longe de “Chucky, o brinquedo assassino”. Sei que para alguém que morre de medo de zumbis, até “Todo Mundo Quase Morto” é um filme aterrorizante. Não há muito que se argumentar neste ponto. Você realmente não pode convencer ninguém achar algo assustador, ou pelo menos, não tanto quanto você poderia convencer alguém que não gosta de maionese, de como ela fica boa em um sanduiche com salada e ovo. O que significa dizer que, para todo o seu entusiasmo descompactar a dimensão psicológica do horror, a crítica me parece bastante despreparada para lidar e tratar sobre o medo. Então, ao invés de apresentar só mais um filme assustador, deixe-me mudar ligeiramente os parâmetros da questão.

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Em 1971, o cineasta experimental Stan Brakhage fez o filme “The Act of Seeing With One’s Own Eyes”, um documentário de 40 minutos filmados no necrotério de Pittsburgh. O filme é composto por nada mais nada menos que imagens de autópsias, capturadas abertamente. O filme tornou-se quase um clichê para os que viram, pois, as filmagens de fato são inesquecíveis. Os corpos de homens, mulheres e crianças estão dispostos em algumas mesas, eles são despidos, limpos, alguns embalsamados, com diversos cortes abertos e algumas partes sem pele. Pedaços frágeis de caixa torácica são cortados de ponta a ponta, e em um momento em que se parece quase inacreditável, a pele do rosto de um homem é puxada para baixo e tirada em seguida. Depois, aparecem as mãos enluvadas de um agente funerário rasgando a carne como se fosse um bandaid. Nós temos a tendência de falarmos muito sobre o sentido físico em filmes de terror, sobre a presença palpável do corpo na imagem. “The Act of Seeing With One’s Own Eyes” é um filme de fisicalidade pura: é o físico separado do cerebral e do espiritual. É o cinema corporal, anatômico. Se o “body horror” já não fosse um gênero cinematográfico, teriam de inventar algo para enquadrar este filme.

Até aqui, a multilação real e o sangue podem não desencadear o medo em certos espectadores – Acredito que, no mínimo, aqueles que praticam autópsias estariam imunes até agora do seu impacto visceral. Mas não é simplesmente uma questão de contexto ou grau. “The Act of Seeing With One’s Own Eyes”, é terrível devido à maneira como ele nos força a enfrentar as qualidades físicas básicas do corpo humano, que é reduzido, ao longo de filme, de humano para algo apenas material, ou, algo de uma pessoa que viveu e agora se tornou apenas alguma coisa elementar e abstrata. É assustador porque nos faz pensar sobre uma contradição que somos essencialmente incapazes de conciliar: que a consciência, a grande extensão confusa da experiência humana, pode de alguma forma ser incluso neste conjunto pouco atraente de carne, ossos e sangue. No rosto humano, vemos a vida: pensamentos, sentimentos, tudo o que sabemos e somos. Mas... E por trás do rosto, quando sua pele é retirada e o corpo parece apenas peças de reposição? Você não vê pensamentos e sentimentos lá. Você não vê nada além de carne.

Dizer que “The Act of Seeing With One’s Own Eyes” é o filme mais assustador de todos os tempos, em alguns sentidos, banaliza a profundidade e a intensidade do que ele nos diz – certamente assisti-lo é uma experiência diferente de ser apenas assustado ou surpreendido por um fantasma desfocado ou por um maníaco. Então, talvez seja isso que supere a questão de preferência e gosto. Os efeitos deste filme, não dependem de um medo que as imagens podem vir a trazer. Assim como também não procura aqueles que tem medo da morte. Tudo o que Brakhage pede ao seu público é que tragam um corpo: essa coisa delicada e desajeitada, com sangue pulsando e massa encefálica contida intacta. (Nada que uma serra não possa atravessar). O filme realmente não pretende assustar ninguém. Ele pretende apenas mostrar algo tão real e tão inevitável que a única resposta natural é o medo. Em outras palavras, está embaixo de sua pele.


Essa crítica foi traduzida do site film.com pela Betina.

O filme está disponível no Vimeo completo, e eu coloquei aqui embaixo. Você pode assistir ele, por SUA conta e risco... Tem Coragem?










Qual o SEU medo? Qual filme deixa você sem dormir?
Bons Pesadelos...

44 comentários:

Kimberly disse...

Credo, nem fodendo que eu assisto. Mas o texto ficou ótimo, só li verdades x) parabens pelo(a) autor(a)

Cinnamon Girl disse...

Normal o filme... aliás achei até menos "gore" do que as outras autópsias que eu já vi haha acho que o impacto maior foi o ângulo que a câmera filmou. Pra mim, a cena mais chocante foi a da pessoa com os olhos abertos e a câmera pegando a imagem de baixo pra cima

EdsonAnaici disse...

Interessante ver a expressão facial de descontração dos caras que mechem com o corpo, como um trabalho como esse as vezes te torna frio em relação a morte.

JOÃO PEDRO ABBOTT disse...

EU NAO SENTI MEDO

Douglas Mello disse...

Açougueiros :D

Leticia Oliveira disse...

Achei daora o/

Pedro F. disse...

Assisti aqui, achei até legal, ñ vi nada de tão perturbador o quanto eu imaginava '-'

Regieli Bento disse...

Já vi autópsias mais chocantes que essa,foi bem normal.

Camila Pereira disse...

Ta olhei o filme!!! kkkk

Willian Trindade disse...

Gostei do documentário, não achei assustado pois mostra a vida de quem trabalha com necropsia.

Sarah Bastos disse...

É sério que dizem que isso é assustador? o.O
Assisti de boa e ainda dei umas risadas. kkk
Quem está com medo, relaxa.. É só um açougue.

vitor pingarilho disse...

nao chega a ser assustador, mas da nojo

Lucas santos disse...

o filme não tem nada de mais '-' .. é apenas um documentário que é mostrado a maioria dos alunos de curso técnico de necropsia ^^ não vi nada de assustador nem da primeira vez que tive contato com este documentário ^^

P. Q. disse...

Sim, é uma autópsia normal, e se você é fã de gore, já viu sim coisas piores. O ponto que o filme quis chegar, como o autor mencionou, não é o susto, o medo por algo que salta da tela com olhos horríveis, ou com uma faca. O medo esta na reflexão sobre o assunto. Que não somos nada, senão ossos, pele, carne e sangue.

James Carvalho disse...

Normaal:

Sally Barker disse...

Para os comentários que esperaram ficar com medo, no próprio texto antes do vídeo já disseram: "O filme realmente não pretende assustar ninguém. Ele pretende apenas mostrar algo tão real e tão inevitável que a única resposta natural é o medo. Em outras palavras, está embaixo de sua pele."

Blue Duarte disse...

Por favor, aprendam a comentar os posts em relação ao conteúdo e não falar sobre sua reações ao vê-los. São poucos o que de fato sabem o que é comentar algo e acabam comentando sobre si mesmos.

Camilla Saccol disse...

Hm, assisti uma parte... a intenção é interessante mas não foi muito bem filmado. O close faz com que as imagens percam um pouco do sentido. Em algumas partes, assim como pode ser um médico tirando a pele de uma pessoa, pode ser um açougueiro tira a pele de um porco. (what)

Igor Oliveira disse...

achei sem graça seria melhor ver o filme do Pelé

┼†☠ Ðî€ⓖØ ☠†┼® disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Red disse...

O post foi bom, teve ate creditos (aleluia!), espero que o blog continue assim, quem sabe o medob q a gente conhecia nao volta de vez. Parabens!

Michael Wevanne de Santiago disse...

Isso não é ser assustador, isso é ser nojento. Existe diferença entre causar medo e causar repulsa.
O texto da postagem consegue ter mais impacto (em relação ao conteúdo) do que o próprio vídeo.

rex disse...

como muitos disseram não tem nada de mais é só um vídeo de autópsia como falado no texto o medo fica em ver que não somos nada perante a morte só um saco de ossos,carne e sangue.

Sparda lost daughter disse...

Resumindo muita fumaça pra pouco fogo o "filme" é só um açougue o texto está bem escrito mas se é por isso qualquer gore que vc ver vai te fazer pensar que você é so um monte de carne e ossos e etc basicamente querem que tenha algo poético sobre so mais uma autópsia mas ela na verdade não passa disso,um cadáver sendo mutilado. e mesmo que fizessem a melhor critica do mundo sobre ela ainda não seria melhor que um gore qualquer.

Joso disse...

mas n é isso que um açogueiro faz ? a diferença é que são com animais. Achei bem leve, a morte é uma coisa natural, o medo está em ver a hora que a vida está sendo tomada ou seja, videos de assasinato, suicídio etc... dps que a pessoa está morta ela está em paz.

jefinho camargo disse...

No final n é isso mesmo q o diretor quis mostrar que a "obra prima da natureza" não passa de um amontoado de carne e osso,que nos jugamos os senhores da terra mais no final das contas não temos nd de diferente de outros seres (mamíferos) que habitam a terra,todo mundo esperava algo inovador grandioso mais no final das contas somos um monte de carne morta e nojenta,faz pensar é só isso acabou e o resto,esperava mais...

Joao Pedro Pinho disse...

puffft nade que um visitante diario de sites como medoB e issoEbizarro n suportem lol

Rafaela Lorena disse...

Na verdade o filme não é assustador, nem um pouco... eu achei triste inclusive, realmente essa carcaça nossa não vale nada... affz.

Juliana disse...

É que.. eu não acho que esse tipo de coisa dê MEDO, propriamente dito. É uma mistura de curiosidade, acho, com um pouco de 'tristeza'.. não sei explicar.. uhasuhauhsa..
é que quando vemos isso a gente se dá conta de que não é NADA.
Só um pedaço de carne com patas (by burro do shrek).

Lion Man disse...

Não senti medo e nem nojo, pelo contrario, fiquei fascinada. As dimensões do corpo humano são incríveis, Mostra somente o que realmente somos, por trás de luxo, dinheiro, egoísmo e maldade, apenas carne. Me leva a refletir que devemos cuidar mais do nosso espírito e deixar a aparência e coisas terrenas em um patamar menos importante.

Beatriz Araujo Rivelli disse...

Achei mais interessante do que perturbador...

Yuri Gicus disse...

Engraçado ver uma galera falando que não sentiu medo. Coisa infantil de ficar dizendo "não tive medo". A ideia do texto é tão maior que apenas gore. Mas isso mostra a cabeça da maioria dos fãs de gore. Incultos, adolescentes (adolescência vai até os 28 anos) sedentos por violência sem sentido. o documentário é bom, o texto é bom mas o bando de toupeira revoltada é que estraga. Valeu pelo post.

Becca disse...

Não se pode classificar o documentário como "Filme de Terror" creio que ele pertença a uma categoria distinta, muito mais acadêmica do que de entretenimento. São necrópsias, procedimentos comuns, repetidos diariamente no IML e em faculdades de medicina, não vejo relevância enquanto filme, apenas como instrumento de estudo.
Se formos analisar os mais relevantes filmes do gênero de terror eu citaria o perturbador
"Centopeia Humana" esse sim tem uma estória sórdida e elementos doentios da personalidade humana, existem dois cento´peia humana e o segundo consegue superar o primeiro em cenas chocantes e tensão envolvida.
E que tal o Serbian Film ou Canibal Holocausto, já ouviram falar?
Esses sim, são obras atormentadoras do terror.

Theda Figueirêdo disse...

já fui monitora de anatomia humana e as vezes assistia autopsias para aprender mais sobre o corpo humano, se você não imagina que corpo é só um material e no meu caso material de estudo é bastante perturbador, muito bom o filme faz você pensar em muitas coisas, mas só vi pq o texto me convenceu texto maravilhoso!

Ana Biia disse...

Concordo plenamente! O objeto que provocaria medo seria a realidade dos fatos demonstrados, não ser "gore ou não".
Ótimo post, equipe MedoB!

Cinnamon Girl disse...

Camila Sacool, eu acho que a intenção é exatamente esta. A animalização do ser humano perante a morte, como todos surgimos da natureza e acabamos voltando para ela, sem qualquer discernimento entre moral e inteligência como fazemos em vida... é simplesmente o fato do ser humano ser como outro qualquer ser vivo feito de carne e osso. Não tem essa de ser a espécie "mais evoluída" ou mais inteligente, a morte é a mesma para todos.
Muito bom, mas chega desse mimimi que as pessoas não entenderam o propósito do filme né? Mesmo por que cada post do medoB é convidativo a trocar experiências e sensações do medo, então nada mais justo comentar se sentiu medo ou não :)

Brenda disse...

Putz, depois que tive que mexer em cadáver para estudar AH, isso pareceu até mais bonito ahsuahsa. Apesar de antes eu não sentir medo e achar o máximo mexer nos cadáveres *-*
Mas de coisa mais gore eu já fico meio tensa hahaha

Ninja lol disse...

Na duvida vou almoçar primeiro hehe...

gabi lemos disse...

Bom, fiquei com nó na garganta porque no final de cada filme de "terror" a gente se tranquiliza e pensa "uffa é só um filme, é tudo ficção" até nos baseados em fatos reais hahaha mas esse documentário não é uma mentira, não é uma ficção. É a nossa realidade e todos vamos passar por isso...

samuel malaga disse...

mais é friboi

Israel Korb disse...

Assisti com a minha prima de 10 anos! Nem ela ficou com medo, apenas sentimos um pouco de nojo.

mefisto_osombriu disse...

Gente ... não passa de algumas altopsia... e altopsia sempre eh bizarra

Unknown disse...

O filme q me deixou um bom tempo sem dormir foi
"a morte do demonio"
Assisti logo no cine
mto loko esse filme

Catarina Silva disse...

nos 16:50 quando o medico coloca o corpo da mulher na mesa o braço dela se mexe sozinho para cima! Bizarro!!