17 de maio de 2014

As Duas Lebres



Você gosta de jogos? O que acha de jogar com almas de outro plano? Existe uma lenda que se espalhou pelo interior europeu e acabou cruzando oceanos... Será verdade? Julgue por si mesmo.

Há muito tempo, num país do interior europeu, havia duas meninas. Irmãs gêmeas, nascidas em noite nublada e escura. Pelo fato de serem idênticas, seus pais as vestiam com roupas também de modelos idênticos, mas de cores diferentes: uma delas usava combinações em tons de rosa e vermelho, enquanto a outra tinha roupas em tons de preto e cinza, tendo uma única cor adicional em comum: branco. Escolheram essas cores pelo estereótipo de "gêmea má e gêmea boa", apesar de nenhuma delas apresentar mal comportamento até seus doze anos de idade. Mesmo nessa idade, continuaram idênticas, sempre juntas, e isso, no caso delas, significava beleza em dobro. Seus cabelos, presos em dois rabos de cavalo, formavam um grande cacho ruivo-avermelhado de cada lado de suas cabeças. Seus olhos castanhos brilhavam tão profundamente que se assemelhavam a portais para seus pensamentos mais ocultos. Seus rostos pálidos se encontravam sempre serenos devido ao comportamento impecável de ambas em todas as situações, exceto em uma. Quando brincavam de seu jogo favorito, as duas se inquietavam, e um grande sorriso de felicidade se estampava em seus rostos. Elas eram invencíveis no pega-pega. Corriam velozes como lebres, e adoravam se gabar disso cantando enquanto corriam de mãos dadas:

"Duas meninas correndo, duas, e nenhuma você alcança!"




Essa provocação era o grito de guerra das duas e, de fato, ninguém alcançava mesmo. Seus colegas enraiveciam e sempre paravam de brincar quando elas entravam no jogo. Até que um dia alguns amigos que não aguentavam mais perder as desafiaram para uma corrida que, segundo eles, seria decisiva para o posto de mais rápidas da escola, e seria realizada após as aulas, num terreno abandonado. Entretanto, foi ordenado de seus pais que as pequenas voltassem direto para casa, como de costume. A gêmea trajada em rosa disse que não poderiam comparecer, mas o orgulho da gêmea em preto a fez aceitar a proposta e começar uma discussão entre as irmãs. Depois de argumentarem uma com a outra, aos gritos a gêmea em preto decidiu que iria sozinha, e a gêmea em rosa se calou, simplesmente dando as costas e andando em direção à sua casa. A gêmea em preto sorriu triunfante. Ela tinha doze anos, o que poderia acontecer de tão ruim? Então, ao chegar no terreno abandonado, ela não encontrou uma pista de corrida, como esperava, mas muita raiva nos olhos de seus colegas. As horas seguintes foram tristes e dolorosas para a pequena. Se ela não escolhesse justo aquele dia para sua primeira teimosia, talvez ela não passasse a saber o quão cruéis podem ser alguns rituais. A cada volta que os ponteiros do relógio completavam, a pequena em rosa ficava mais preocupada, e tinha mais dúvidas. "Ding-dong", fez a campainha às dez da noite, no mesmo dia. Ao abrir a porta, a mãe das pequenas gritou e abraçou em lágrimas sua filha coberta de sangue. O pai e a pequena em rosa olhavam sem reação, reparando rapidamente em diversos aspectos novos na pequena em preto. Seus cabelos, antes num forte vermelho, agora se destacavam em um branco puro. Seus olhos castanhos e brilhantes, agora num claro verde, quase completamente opacos. E, apesar do sangue que a cobria por inteiro, não havia rasgos em suas roupas, muito menos cortes em sua pele. Todos entraram no carro a caminho do hospital. Nenhum dos médicos tinha uma explicação lógica para o que houve com a menina. Não havia alteração alguma de melanina que explicasse a mudança de cores, ou costura médica que cicatrizasse completamente em poucas horas o lugar de onde saíra tal hemorragia. A saúde da menina estava perfeita, e por isso apenas a limparam e mandaram para casa, onde seus pais a interrogaram sobre o que houve, e a menina disse não se lembrar de nada, além de passar a tarde correndo com os amigos. Meses se passaram, e a menina já não conversava tanto com a irmã. Continuavam sempre juntas, mas também sempre em silêncio. No aniversário de treze anos das duas, foi decidido que fariam uma festa à fantasia, orgulhosa do maior atributo de suas filhas, a velocidade, a mãe das pequenas costurou fantasias de lebre para as duas: para a primeira pequena, um vestido rosa de cumprimento nos joelhos, com uma blusa branca de mangas curtas por baixo dele, meia-calça de lã, também branca, orelhas de coelho rosa, presas aos elásticos dos dois rabos de cavalo, sapatos de boneca vermelhos e um grande laço na parte de trás da cintura, igualmente vermelhos. E, claro, para a segunda pequena, um modelo idêntico, porém tendo as cores rosa trocada por preto, e vermelho trocada por cinza. As duas ficaram lindas nos vestidos, e a festa estava bem cheia. De repente, um homem alto, de máscara e vestido com uma capa preta, se aproximou parabenizando-as. Após o agradecimento da pequena em rosa e o silêncio da pequena em preto, ele disse que ouviu falar da grande velocidade das duas, e as convidou para uma rodada de pega-pega, valendo um prêmio especial. Logo a pequena em rosa aceitou, e eles foram para a parte externa da chácara onde acontecia a festa, que se misturava a um bosque escuro e assustador. O homem disse que daria a elas um minuto de vantagem e, sem outra saída, deram as mãos e dispararam para dentro do bosque. Naquela noite, o sorriso enorme no rosto da pequena em rosa não aparecia no rosto da pequena em preto. Enquanto ela ria e se divertia, a falta de reação da pequena em preto a incomodava. Ela não resistiu e gritou : "Duas meninas correndo, duas, e nenhuma você alcança!"
“...”
Não houve uma segunda voz a acompanhando. Ela gritou de novo, e sua parceira continuou em silêncio. Irritada, ela largou a mão da irmã e bradou um grito de guerra diferente:
"Duas meninas correndo, duas, mas essa você não pega!"
Ao gritar a última palavra, o céu começou a trovejar e, assustada, ela resolveu retornar. Voltando à chácara, não havia mais homem trajado de negro, nem pequena em preto. A madrugada veio e, enquanto seus pais ligavam em todas as delegacias desesperadamente, a pequena em rosa, deitada em sua cama, em meio à escuridão do seu quarto, no segundo andar da casa, preocupava-se com o desaparecimento de sua irmã.
"Ela estará em casa quando eu acordar?" - pensou ela, poucos segundos antes de adormecer.
Três horas da manhã em ponto, e a menina é acordada pelo barulho da janela se abrindo. No escuro, viu uma silhueta semelhante à dela, próxima às cortinas. Ela começou a suar frio, e seus olhos se arregalaram. Não podia ser... Não havia nem sacada na janela, como ela poderia ter entrado por ali?! O coração da pequena em rosa acelerava mais e mais, o ar começou a faltar em seus pulmões, e a carícia que agora recebia do vulto começou a ficar agressiva, enquanto seus membros eram arrancados brutalmente de seu tronco e engolidos pelas sombras. A última cena que ela avistou antes de se entregar à dor, à agonia e à morte, foi sua amada irmã, sorridente, deitada ao seu lado e dizendo calmamente:
"Uma menina correndo, uma. E eu finalmente peguei"...

É dito que, se dois coelhos de pelúcia, sendo um negro e um rosa, forem colocados debaixo da cama de quem quer jogar, e esse jogador, sozinho em casa, às três horas da manhã, sussurrar em frente à janela "Um jogador a mais, um, e tentem me pegar!", uma brincadeira perigosa pode começar. Dito também que, se até as seis ninguém for pego, o jogador terá sido provido de uma diversão incomparável.


Bons Pesadelos...

18 comentários:

Matheus Silva disse...

CARAI ESSE CONTO E TAO FODA Q NEM DA PRA FAZER UM COMENT SEM SENTIDO, KCT!!!





TORRESMO PORRA!!

Geovana Gouveia disse...

muito bom !!!

A. disse...

Wow, esse conto foi realmente bom, não sou de comentar, mas não resisti agora, ainda mais por causa do português que ficou praticamente impecável. Gostei bastante, parabéns pra quem escreveu ou traduziu! =D

Sebastian Sebbs disse...

Muito fraquinho, pensei que seria alguma coisa mais aterrorizante

Roger Santos disse...

kkkkkkkkk

Hanna Botelho disse...

lindo :)

Iolanda Saraiva disse...

Adorei...parabéns pelo site sempre^^

R. Meitzen disse...

Sempre tem os machões dizendo que nunca se assustaram, mas eu aposto que vão olhar se tem algum monstro debaixo da cama e no guarda-roupas antes de dormirem :P

Paulo disse...

"diversão incomparável" ( ͡° ͜ʖ ͡°)

David Alcalde disse...

Vou jogar qualquer dia :D

Rebeca Emanuelle disse...

nuss que adorei, parabens

Oscar Mendes Filho disse...

Conheça a verdade por trás das lendas. ------> http://www.prisioneirodomedo.blogspot.com.br/

Hebert disse...

Muito bom, continuem assim!

cristiane miranda disse...

nossa sinceramente esse e um conto muito de mais quase fiquei com medo e o mais esquisito e que na hora que eu li ¨` e nos céus comeram a trovejar `` trovejou aqui em casa nossa carai ^^

anonimo disse...

sla, achei a parte de desmembrar meio forçada

Pépii!! disse...

só eu achei esse conto ótimo pra um filme?
principalmente por ter o detalhe da aparência mudada da menina de preto...

eu gostei e eu jogaria o ritual só pra causar :P
conheço gêmeas identicas rsrsr... poderiasmos fazer um filme amador zuando esse conto ^_^

Pamela disse...

#bang

Anonima Blogueira disse...

Concordo, acho que se fosse so um enforcamento ou asfixia faria mais sentido. Até porque nem explicou nenhum dos eventos bizarros que aconteceu, nada tem conexão.