29 de setembro de 2014

Pela Escada



Não que estivesse atrasado, porém se esperasse por mais alguns minutos certamente ficaria.
Ajeitou a mochila sobre o ombro e apertou novamente o botão do elevador mas, por mais que ouvisse os cabos se movendo e o motor funcionando, nunca chegava até o seu andar.
Eram apenas três andares. Preferiu usar as escadas.
Abriu a porta do corredor que conduzia ao primeiro lance e o sensor de movimento imediatamente acendeu a luz, revelando o caminho até uma porta no lado oposto, que dava na outra metade do andar.
Hesitou por alguns momentos, de ouvido em pé, para ver se o elevador já estava chegando. Apenas o som do motor continuou ecoando pelo fosso que atravessava os andares, mas nem sinal dele chegar.
Então entrou e fechou a porta atrás de si, bem no momento que ouviu um "clique" e o sensor apagou a luz. O tempo de espera não era muito longo.
A escuridão caiu maciça à sua volta, negra e quase sufocante. Um indício de claustrofobia o fez agitar os braços ansiosamente, se sentindo um idiota assim que a luz tornou a acender.
Achou melhor se apressar. Se a luz do andar acima apagasse antes que chegasse no perímetro do sensor abaixo, poderia acabar rolando alguns degraus com aquela escuridão tão intensa.
Cada andar era separado por três lances de seis a sete degraus, virando sempre à direita. Desceu o primeiro e deu de cara com a escuridão do segundo andar invadindo o segundo lance de escada. Sentiu um leve arrepio e começou a descer mais rápido, preocupado com a hora que a luz acima apagasse.
A luz abaixo levou um segundo a mais para acender, quando atingiu o último degrau do terceiro lance. No instante seguinte ouviu o "clique" da luz acima se apagando.
"Melhor descer um pouco mais rápido", pensou. Como da outra vez o lance do meio estava escuro até a metade. Acelerou o passo, começando a ficar mais nervoso do que imaginou que ficaria.
Curiosamente, dessa vez a luz superior apagou antes que terminasse o terceiro lance e a escuridão o envolveu por dois segundos.
Nesses dois segundos sentiu algo que o apavorou: algo o espreitava através da escuridão. Podia sentir e quase ouvia sua respiração. A luz superior continuava apagada.
A luz do andar que estava acendeu. Não havia ninguém.
Agora começou a descer as escadas correndo, sentindo um suor frio escorrer pela suas costas. Não fazia sentido algum, mas quanto mais rápido ia, mais rápido as luzes apagavam e mais tempo demoravam a acender.
Já não fazia ideia de em qual andar se encontrava, nem quantos lances ainda haveria de descer, mas a presença que o perseguia era uma certeza constante e cada vez mais próxima. Ouvia passos, mas não conseguia identificar se eram os seus que ecoavam escada acima.
Tropeçou e deixou a mochila cair. Ouviu o "clique" da luz superior apagando e nada da próxima luz acender. Abaixou-se e tateou o chão atrás da mochila, notando que por mais ruidosa que sua respiração estivesse, não encobria o pavor de sentir que algo se aproximava inexorável e lentamente pelas suas costas, como se tivesse a certeza de que o alcançaria por mais que corresse.
A luz acendeu e viu o "T" pintado na parede. Finalmente o térreo. Pegou a mochila a tempo de sentir um leve movimento cálido em sua nuca.
Correu em direção à porta de saída sem coragem de checar se tinha mesmo alguém atrás de si e quanto mais corria, mais longe a porta ficava. Desesperou-se. Algo escorreu pelo seu rosto. Poderia ser suor ou lágrimas, mas não lembrava de ter começado a chorar. Faltava pouco e estendeu a mão para segurar a maçaneta. Um último impulso e soltou um gemido que foi quase um grito de terror. Se demorasse mais um segundo para alcançar a maçaneta a luz poderia…
"Clique."



Conto da @Deka_Pimenta
Bons Pesadelos...

12 comentários:

Kauan Recova disse...

C******! SUSTO DA PORRA COM AQUELA FOTO DA ESCADA!! Gostei do conto, apesar de ter deixado muito a desejar. Como, por exemplo, não ter dado muitos detalhes do que realmente estava assustando a personagem-narrador.

Tatiane Araújo disse...

Estou meio confusa , n conseguir entender bem , alguem poderia explicar ?

Erika Lee Espinosa disse...

Oque tem na?

Rygon disse...

Algo perseguia o personagem pela escuridão das escadas, ele dependia dos sensores de movimento para acender as luzes, que se apagavam depois de um tempo.

A última luz se apagou com antes de ele chegar na saída.

dark girl disse...

Nunca gostei de elevador agr imagina uma escada q nunca acabaçe em pleno terror achando q tem algo atras (gasparzinho dando altos susto):v

Bruno Apolo disse...

Uma bosta

Lucas Patricio disse...

Muito bom! Eu já acho que a ausência de detalhes quanto ao perseguidor, justamente aumenta a margem de interpretação e instiga a criatividade do leitor.

Anywhere disse...

O fato de nao revelar algo torna o conto um mistério a incógnita do pavor de ser perseguido, e do desejo de saber o que aconteceu, é a história terminada em seu famoso climax, kkk é um tanto quanto odioso mas aguça nossas mentes em imaginar além do que é contado, muito bom, eu mesmo imaginaria varias coisas diferentes lendo varias e varias vezes.

Fernando Ninguém disse...

Um conto sobre o maior medo do homem, o próprio medo.
Algo simples e ainda assim (ou talvez por isso mesmo) assustador.

Caroline disse...

Eu explico! Assim que o cara pegou na maçaneta estava próximo a fujir daquela coisa, a luz apagou, e não deu tempo de fugir...

Thatta-chan disse...

Acho que ele estava sendo perseguido por algo (que não fala o que é), basicamente, ele teria ido pela escada e, antes dele chegar o andar de baixo a luz se apagava, nisso ele sentia a presença de algo. Tem que reparar também que ele começa a entrar em desespero desde o momento em que ele entrou na escada, é tipo, acho que o normal seria a luz do andar de cima ficar acesa tempo o suficiente para chegar ao andar de baixo, mas isso não estava acontecendo, ela estava a pangando antes, ela ficava pouco tempo ligada e mais tempo apagada. Conforme ele passa pelo andar a luz teria que acender, mas eu ela acendia um tempo depois que ele passou. O que deixa confuso é a sensação de desespero que o Autor tenta nos passar, que ele descia, descia, descia mas não conseguia chegar ao Térreo, muito menos se livrar da escuridão...

Bem, eu no lugar dele já teria entrar em outro andar e esperado o elevador... Mas, vai que uma vez estando dentro a luz do elevador não apaga também? kkkkkkkkkkkkk

Pedro Pereira Alberto disse...

:/ No meu predio tem uma escadaria assim, so q ela e tão escura de noite q so da pra ver o chão, e o sensor de movimento é uma porcaria, so acende quando eu termino de descer :P