10 de outubro de 2013

REC Recordações Macabras Pt 03

Parte 3 de REC - Recordações Macabras. Você ler/ouvir as partes anteriores aqui: Parte 1 / Parte 2










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18:40 - Consegui, cheguei onde eu queria. Parecia ser fácil mas, na verdade essa caminhada toda me cansou muito. O dono desse sítio é um velho conhecido de meu pai, ele se chama Manoel.
A coisa mais difícil de todas foi explicar tudo aquilo que me aconteceu, eu realmente não tive coragem de dizer toda a verdade, precisei mentir sobre boa parte da história e também não disse nada sobre ter testemunhado aquela estranha criatura eliminando todos de minha casa, é certo que ele jamais acreditaria porém, deixei bem claro que meus pais estavam mortos e associei a tragédia a um ataque de ursos. Ao saberem da notícia, o Sr Manoel e sua família ficaram chocados, eles estão me dando todo o apoio e assistência de que preciso só que infelizmente, terei de aguardar aqui por dois dias pois, o telefone do Sr Manoel está desligado e o único veículo do sítio está na cidade, o filho do Sr. Manoel está utilizando ele é só volta para cá no fim de semana ou seja, terei de esperar afinal, caminhar daqui até a cidade levaria muito tempo, são mais de 70 quilômetros. Vou aproveitar a hospitalidade, tomarei um bom banho, o Sr Manoel me ofereceu algumas roupas emprestadas mas, não foi necessário, eu trouxe comigo algumas trocas, tudo o que preciso está na mochila.

22:03 - Me sinto novo, mesmo depois de tudo de ruim que aconteceu comigo. Jantei e comi muito bem, a esposa do Sr Manoel e sua filha mais velha, Rosane, prepararam um belo ensopado de legumes que realmente restaurou minhas energias. Enquanto jantávamos, o silêncio na mesa foi quebrado pela a filha mais nova do Sr. Manoel. A menina deve ter uns seis anos de idade mas, ela comentou algo muito interessante e que ao mesmo tempo me inquietou muito.
Durante o jantar ela me perguntou se eu estava triste, tentei disfarçar com um sorriso e disse que não afinal, ela é só uma criança e eu não podia lhe contar nada do que aconteceu. Ela ficou em silêncio por alguns segundos enquanto mastigava a comida e após terminar disse: -
"Eu ouvi tudo enquanto você e meu papai conversavam, eu sei que sua família morreu." Nessa hora o Sr Manoel ficou furioso, ele ordenou que sua filha me pedisse desculpas e que também se retirasse da mesa e fosse para o seu quarto, eu disse ao Sr. Manoel que estava tudo bem mas, ele permaneceu rígido em sua ordem, acho que estava envergonhado.
A menina se levantou da cadeira e seu semblante mudou, antes de sair da sala de jantar ela olhou mais uma vez para mim e disse algo ainda mais perturbador, ela disse: - "Não foi um urso, foi um bicho estranho e feio e ele seguiu você, vai embora porque não quero que ele pegue meus pais..." O Sr. Manoel e também sua esposa se enfureceram instantaneamente, tanto que colocaram a menina de castigo, eu não tive respostas, a primeira coisa que veio em minha mente é: Como ela soube disso? Será que a maldita criatura me seguiu? É exatamente isso o que pretendo descobrir! Bem, depois continuarei relatando, preciso economizar as baterias do gravador, não há nenhum par de pilhas extras por aqui...

"Desgraçado, o que é você? O que é Você!? O que, o que você fez? Maldito miserável volta para o inferno, maldito, maldi..." [Voz de Manoel.]

Minhas mãos... Minhas mãos estão amarradas mas, consegui ligar o gravador que está na mochila... É ele! Preciso gravar isso...
Esse que acaba de gritar é o Sr. Manoel, ao menos era... Estúpido, idiota, se não tivesse me amarrado aqui em baixo talvez teríamos conseguido fugir dessa "coisa," ele me pegou de surpresa e bateu forte em minha cabeça e por isso desmaiei, quando acordei já estava amarrado, expliquei como tudo aconteceu e ele não acreditou...

Enquanto me sobra um tempo de vida, enquanto a besta não desce as escadas para me estripar eu tentarei explicar como aconteceu...
Tudo começou de manhã, depois que o sr. Manoel saiu para cuidar de seu rebanho de ovelhas. Aproveitei essa ocasião para tentar me aproximar da filha mais nova dele, eu precisava saber o quanto mais ela sabia sobre a criatura assassina, esperei com que todos na casa se ocupassem de suas obrigações para procurar por respostas e o primeiro lugar que resolvi investigar foi no quarto da garota, entrei lá enquanto ela não estava, foi até que fácil, eu apenas tive que ser cauteloso para que a irmã da garotinha, Rosane, não notasse nada afinal, seu quarto fica ao lado e ela estava lá naquela hora com a porta fechada enquanto ouvia música no rádio.
Entrei e encostei a porta, aproveitei bem o tempo e olhei tudo por lá. Roupas, cadernos de escola, tudo! Era o quarto de uma garotinha normal, alguns brinquedos e um pouco de bagunça, nada do que havia ali podia me convencer de que ela era uma criança diferente ou até mesmo especial e de fato estava eu prestes à sair dali para procurar por ela e questionar tudo frente à frente mas, notei que nem tudo era como deveria ser. Em uma das paredes do quarto havia um quadro com uma bela pintura que me chamou muito a atenção, não por sua beleza e sim por causa da grande quantidade de gosma marrom que escorria em torno dele, falo da mesma gosma que eu já havia encontrado anteriormente na ocasião em que meus pais foram mortos.
Me aproximei da parede e retirei o quadro de seu lugar, o cheiro forte daquela gosma nojenta se espelhou de imediato, o quadro escondia um pequeno buraco na parede e era mais ou menos do tamanho de uma bola de bilhar e estava completamente entupido daquela gosma.

Achei melhor averiguar mas, por segurança e também por estar enojado resolvi não cutucar aquilo com minhas mãos e depois de muito procurar um objeto acabei pegando um dos brinquedos que estava no quarto, um cata-ventos, seu cabo de madeira era o que eu precisava.
Comecei a retirar a gosma marrom do buraco, aquilo fedia tanto que quase vomitei ali mesmo e o interessante disso é que a gosma era tão viscosa e grudenta que levei um bom tempo para conseguir retirá-la. A parede foi ficando limpa e o buraco também, uma pequena abertura foi feita e eu já podia olhar oque havia ali... Atormentador, o pesadelo havia começado novamente, Deus esteja com todos nós... Do outro lado do buraco estava o quarto de Rosane, ela também estava no quarto mas, não como gostaria que estivesse e sim morta. Eu nem sei como explicar, eu tinha ampla visão do quarto de Rosane, o horizonte que se dispunha em minha frente era algo chocante, seu corpo despido estava grudado na parede, estava de ponta cabeça e com os braços abertos como se estivesse representando uma cruz invertida, estava completamente coberta dessa gosma marrom aliás, não tenho dúvidas, é justamente a gosma que mantinha seu cadáver grudado na parede. Além da gosma que estava por todos os lugares havia também muito sangue, o chão estava lavado de todo o sangue que Rosane tinha até porque, ela havia sido decapitada.
O corpo nu de uma mulher que teve sua cabeça arrancada colado em uma parede, foi exatamente isso o que eu vi. Medo, pavor, dúvidas... Que reação teria outra pessoa em meu lugar? Senti tudo isso e um pouco mais.
Eu precisava fazer algo, precisava me defender e também precisava alertar a todos. Aquela maldita besta havia me seguido e todo mundo, inclusive eu, estávamos em perigo. Saí rapidamente do quarto, procurei por toda a casa e não encontrei ninguém.
Comecei a me sentir um pouco tonto, perdido e ao mesmo tempo incrédulo, eu sabia exatamente o que estava acontecendo mas, me recusava em acreditar. Comecei a tremer, como da vez em que toda minha família foi morta, comecei a ouvir vozes, sim! Era como se uma multidão de pessoas estivessem dizendo muitas coisas ao mesmo tempo, eu não consegui compreender o que disseram mas, também havia uma outra voz que dizia coisas confusas: 'Não morra carinha... Procure uma arma'... Eu realmente não sei o que diziam mas uma coisa é certa, esse meu delírio me fez repensar e assim pude organizar melhor minhas ideias, fui capaz de controlar meu medo e pensei: Se pretendo encarar essa criatura então será preciso me armar... Foi justamente o que fiz, procurei algo com que pudesse me defender, não encontrei nenhuma arma de fogo pela a casa mas, na sala de estar havia um facão artesanal que por sinal era bem afiado, era o que tinha para o momento.

Com o facão em punho andei por todos os cômodos novamente e quando estava me aproximando da sala pude ouvir gritos de horror e desespero que parecia vir do porão da casa, corri o mais rápido possível para lá e quando me aproximei da porta de acesso ao porão me deparei com a filha mais nova do sr. Manoel, ela veio correndo e subia as escadas em prantos e gritos, não questionei, só de olhar para ela naquela situação... Apenas pedi para que ela me esperasse ali na porta enquanto eu fosse verificar o porão.

Conforme eu descia os degraus da escada podia sentir mais e mais o forte cheiro de sangue e quanto mais eu caminhava para dentro do porão mais visível toda a desgraça ia ficando. A mãe da garotinha estava lá, totalmente desmembrada, braços e pernas foram arrancados de seu tronco com tanta perícia que nem mesmo a mais afiada lâmina do mundo poderia fazer, o que restou da mulher estava lá, no meio do chão, junto de uma imensa poça de sangue mas... E aquele que havia feito isso? Não havia mais ninguém aqui! De qualquer forma isso nem me importa mais, eu mal havia averiguado tudo, mal havia entrado naquele lugar quando repentinamente a garotinha foi lançada escada a baixo, foi tudo muito rápido, a criatura deu um forte rugido e antes mesmo que terminasse pude ver o corpo da garota passando rapidamente por mim... Pobre criança, morreu instantaneamente!

Para que se tenha noção, a criatura possui tamanha força que o crânio da menina foi partido com facilidade, percebi isso por causa do sangue que escorria pelos ouvidos e olhos da criança e também porque toda sua face afundou para dentro de seu crânio...
Maldita criatura, besta miserável! Ela estava abaixada no rumo da porta do porão, bem no alto da escada, permaneceu lá, olhando para mim enquanto afiava suas garras longas no chão. Besta infernal, embora seu olhar fosse ameaçador eu podia sentir que por dentro ela zombava de mim, podia perceber que essa coisa maldita estava se divertindo com toda essa situação e foi nesse momento em que o ódio e a fúria foram mais fortes do que o meu medo, não pensei em mais nada, não fazia diferença viver ou morrer, subi as escadas preparado para enfrenta-la, parti para cima da criatura. Hãm, queria que minha força fosse tão gigantesca quanto minha vontade, mal toquei o desgraçado e ele me lançou para baixo da mesma maneira como fez com a garota. Após a queda, fiquei atordoado e senti uma forte dor no estômago, tentei ficar de pé diversas vezes mas não consegui. Mesmo com a vista um tanto embaçada por causa da dor eu podia ver que aquela aberração ainda estava no mesmo lugar mas, o golpe no estômago foi tão forte que acho que desmaiei... Eu acho? Tenho certeza!

Não sei quanto tempo fiquei desacordado mas, assim que recuperei meus sentidos a criatura já não estava mais no mesmo lugar, tomei novamente o facão e subi as escadas procurando por ela mas assim que passei pela a porta do porão tudo ficou escuro novamente e mais uma vez eu havia perdido a consciência...
Acordei e estava como estou agora, amarrado em uma coluna de madeira aqui embaixo do porão da casa, o Sr. Manoel quem armou isso... Ele pensa que sou o responsável pela a morte de todos na casa, ele pensa que sou um assassino. Minha cabeça dói muito, o que ele usou para me derrubar, uma barra de ferro?
Tentei explicar toda a história e ele não acreditou, eu tentei diverti-lo até por que, pode ser que seja impossível para uma única pessoa derrubar aquele monstro mas, quem sabe se nós dois fôssemos atrás dele? Eu disse para que ele não voltasse para cima mas, me ignorou e agora que ele foi devorado pelo o mal só me resta aguardar pela a minha vez. Ai, minha cabeça, maldição, dói muito... Eu não consigo raciocinar com essa dor, acho...



Bons Pesadelos...

8 comentários:

Andbs disse...

First! :D

Pâmela nakamura disse...

Adoro Rec. Vai ter mais ?

Pâmela nakamura disse...

Adoro Rec. Vai ter mais ?

Morguy Maccari Foiato disse...

muito bom, quero saber se ele vai morrer ou não

Camila Karennine disse...

Esperando ansiosíssima pelo final da história!

Sakambor Sk disse...

no meio da história meu músculo direito do braço, próximo ao ombro ficou meio que gelado e meio trêmulo, FODA !!! cadê o resto MEDO?????????????????????????????????????
????????

Gerson Ribeiro disse...

No ultimo parágrafo, o correto é adverti-lo, não diverti-lo. Isso muda o sentido da frase!! muda aee!

simone zaitsev disse...

eu acredito que ele é o culpado huehuheuheu