7 de julho de 2014

Valkiria


“Em tempo de guerra, quando a verdade é tão preciosa, isso deve ser protegido por um guarda-costas de mentiras.” - WINSTON CHURCHILL

Guerras muitas vezes são rodeadas de mistérios. A maioria destes é atribuída à chamada "névoa da guerra." Quando a propaganda, e a verdade questiona o que realmente ocorreu, o que poderia ter acontecido, e o que nunca aconteceu, A confusão reina suprema no campo de batalha, e uma vez que a última bala é disparada, e a última bomba lançada, há sempre perguntas. Perguntas que muitas vezes não têm respostas. Esta é a história de uma dessas perguntas, e, embora possa ter uma resposta; não é uma resposta que ninguém queira admitir, porque isso chamaria a atenção para algo mais. Algo maior, algo mais sombrio... Lá fora. Algo que, talvez, tenha sido pior do que qualquer coisa que os nazistas tenham feito.

A Segunda Guerra Mundial é rodeada de mistério, tendo terminada com muitos fatos desconhecidos. As questões normalmente se resumem à "Por quê?", para ser respondida apenas com o frio "Eu estava apenas seguindo ordens." No entanto, além desses criminosos, desses homens que foram julgados pelos seus crimes, ainda há outros mistérios. Este é o conto de um desses, escrito pela primeira vez por Herr Gunther Voss.
Herr Voss era um autor bem versado sobre o tema da guerra, em particular, com as armas secretas dos nazistas. Os romances de Voss , os seis que ele produziu, cobrem todos os aspectos da guerra, falando desde o teste de foguete em Penemunde, até as estranhas práticas ocultas de Himmler. Não havia um único assunto que Voss evitasse, nem um único assunto que ele não tenha falado.

Como Voss veio a saber o que ele sabia, fez com que muitos questionassem a sua veracidade. No entanto, toda vez, com cada romance produzido, ele fornecia informações que embora fosse improvável, se provaria verdade. Voss negou, até o dia de sua morte, desistir de suas fontes, citando que, se ele revelasse onde tinha obtido as informações, que as pessoas iriam se machucar. Suas fontes confiavam nele, e temiam serem atacadas pelo que elas estavam revelando. Se não fosse pela informação em si, mas para não serem cruxifacadas.

No início de 1990, Voss informou sua editora que ele tinha a intenção de abordar outro assunto. Este, ao contrário de seus textos anteriores, lidaria com uma lenda. Uma lenda que remonta aos dias da guerra. A lenda de que, se tudo era verdade, apontava para algo sombrio, um pressentimento, e do mal que ainda se escondia. Um último bastião dos nazistas que mesmo mais de quarenta anos depois a guerra, ainda esperava, e espreitava. A lenda era de "Valkyria", um suposto trem fantasma.

A lenda Valkyria era, na melhor das hipóteses, uma lenda desonesta, para começar. Realmente não havia provas concretas de que o trem havia existido, sendo que todas as informações consistiam em avistamentos aleatórios e fotografias desfocadas. A maioria destes avistamentos foi facilmente refutada, com as pessoas confundindo um trem de carga que passava, ou uma velha locomotiva a vapor. No entanto, como todas as lendas, havia algum fundo de verdade. Uma pequena pitada de realidade. Essa realidade veio em 1962, com um avistamento em massa do trem enquanto atravessava Berlim. Mais de cem pessoas testemunharam o trem exatamente ao mesmo tempo, com cada um contando a mesma coisa, sendo difícil argumentar dizendo ser uma simples coincidência. Com base nisso, e alguns outros avistamentos semelhantes, Voss começou sua busca. Seu diário, publicado em 1993, depois de seu suicídio, dá alguma luz sobre a pesquisa. Embora em sua totalidade, torna a história ainda mais obscura, mais misteriosa.

Quando seu diário foi publicado, a maioria dos críticos disse se tratar de delírios de um louco. Outros, no entanto, acreditaram que, mesmo que Voss possa ter enlouquecido, não foi por causa de algum problema de saúde, mas sim, por algo que ele havia testemunhado. Alguma verdade, algum conhecimento proibido com que ele tinha entrado em contato. Para seu entendimento, trechos de diário Voss, indo até o último registro, escrito nas horas finais antes de seu suicídio, em 1992.

Diário: Voss, Gunther. Traduzido do alemão.

12, de Outubro de 1992.

Eu acredito que a lenda do Valkyria é verdade. Olhando para trás, através das contas, bem como as poucas fotografias tiradas naquele dia fatídico em 1962, eu cheguei à conclusão de que esses rituais realizados no castelo nos últimos dias podem ter dado certo. Se tal for o caso, e estou certo disso, então meu futuro estará em minhas mãos. Para provar, sem sombra de dúvida, de que o que foi feito lá funcionou bem, isso vai mudar a forma de como as pessoas pensam sobre o ocultismo. Isso vai me fazer um homem rico sem dúvida. No entanto, se é verdade... Então eu temo o que pode ter sido liberado. Os mortos não podem ferir os vivos, porém, isso eu tenho certeza.

13, de Outubro de 1992.

Viajar é mais fácil agora que o Oriente e o Ocidente estão unidos, e com um mapa na mão, eu fui capaz de encontrar alguns dos lugares antigos. Lembro-me de, durante a guerra, vir aqui e ver a cidade; e, em seguida, como ela ficou depois que os soviéticos a tinham destruído. Eu vejo fantasmas, não no sentido real, mas nas minhas lembranças, das pessoas que eu conhecia. Soldados por quem eu passava diariamente, de lugares que eu frequentava. Como poderia a minha cidade, a minha gloriosa pátria, passar a isso? No entanto, eles são apenas fantasmas do passado, e não tem qualquer influência sobre mim. Não estou certo, mas acredito que as plataformas subterrâneas da velha estação, sobreviveram. Se for esse o caso, então é lógico que a plataforma antiga do Fuhrer ainda está de pé. Eu não esperava encontrar Valquíria lá, pois fazer isso seria inimaginável, mas eu sinto que, talvez, uma pista possa estar lá. Minha fonte me diz que, nos últimos dias do cerco, Himmler desapareceu do bunker por um tempo, antes de voltar um pouco antes do suicídio de Hitler. Dado o seu vínculo com o trem, só posso supor que ele foi ter certeza que ele tinha partido; ou se não partiu, se estava pronto para a sua própria partida. Eu vou falar com um grupo de "exploradores urbanos", como eles se chamam, hoje mais tarde para ver o que eles sabem.

15 Outubro de 1992.

Inacreditável! Falei com os adolescentes ontem, e descobri que não só as plataformas ainda estão de pé, mas que o acesso deve ser relativamente fácil. Desde que não sejamos capturados pela Polícia, acessar as plataformas antigas é possível. Um dos adolescentes aceitou ser o meu guia por uma pequena quantia, e vamos partir em uma semana a partir de hoje. Gostaríamos de ir mais cedo, mas meu "guia" afirma que há um trabalho planejado no subterrâneo, então entrar será mais fácil. Eu não sei em quem posso confiar, e os velhos medos surgiram novamente. Será que ele quer roubar o meu prêmio? Não. Não. Ele não sabe por que eu quero ir para lá. Ele não poderia saber.

18 Outubro de 1992.

Eu decidi sair um pouco e fazer mais algumas pesquisas sobre o próprio trem. Eu queria saber se o Valkyria foi avistado por algum dos soldados nos arredores de Berlim, no final da guerra. Isto deve dar-me detalhes de quando saiu, e se eu tiver sorte, a direção geral. Falando com um dos guias do museu, fui apontado para um senhor que era um Comissário dos soviéticos durante essa época. Ele agora serve como um tipo agente político. Embora, sem dúvida, com o fim do muro, seu trabalho é em menos demanda do que ele poderia admitir. Vou falar com ele no jantar, e em seguida, escrever as minhas conclusões.

18 outubro de 1992. Transcrição da conversa gravada:

Voss: Você não se importa se eu gravar isso para as minhas notas? Sou meio esquecido, e bem...
Homem: Não, nem um pouco. Apesar de por que você está interessado em um conto de fadas, eu não entendo. Algo para assustar as crianças?
Voss: Algo assim. Eu acredito que há alguma verdade no conto.
Homem: Ah?
Voss: Sim. Em todo caso, vamos começar?
Voss: Em 1944, você foi um comissário para o Exército Vermelho Soviético, correto?
Homem: Sim. Eu não era da KGB, caso você esteja curioso.
Voss: Eu estava, mas, diga-me mais. Como você chegou a essa posição?
Homem: Da maneira usual. Eu tinha sido um oficial político na minha cidade natal, e quando a guerra começou eu entrei. Por causa da minha lealdade, fui selecionado e treinado para ser o oficial político das tropas.
Voss: Então, você era um homem de poder?
Homem: É, podemos dizer que sim. Menos do que outros, mas mais do que a maioria.
Voss: Cerca de uma semana antes do empurrão final em Berlim, para levar o Reichstag, onde você estava?
Homem: Eu não tenho certeza da localização exata, mas eu estava trabalhando com um serviço penal para limpar alguns trilhos de trem. O Alto Comando queria usar isso para trazer mais homens para a cidade, assim como tanques. No entanto, o bombardeio e combate tinham danificado muito a pista. Assim, os prisioneiros estavam sendo encarregados de limpar os escombros e reconstruir a estação.
Voss: Durante esta limpeza, você se lembra de ver algo... Estranho?
Homem: Sim.
Voss: O que foi que você viu?
Homem: Eu ... bem, eu realmente não posso explicar.
Voss: Você poderia tentar?
Homem: Era tarde da noite, logo após o sol se pôs. Os prisioneiros estavam sendo alinhados para serem enviados de volta para suas celas. Bem, não eram celas. Era um vagão antigo que estávamos usando. Em todo caso, enquanto eles estavam sendo contados, eu ouvi algo.
Voss: Um apito?
Homem: Sim, e não. Foi um apito de trem, mas ao contrário de qualquer outro que eu tinha ouvido antes. Parecia ... bem, soou como um grito.
Voss: E o que aconteceu depois?
Homem: Eu pensei que um dos trens estava vindo mais cedo, então eu pedi para os prisioneiros se alinharem lá. Vimos essa luz avermelhada distante e... Você realmente quer ouvir esta história?
 Voss: Sim. Se não eu não teria perguntado.
Homem: Do nada, o trem estava passando por nós. Era preto e angular. Parecia um daqueles trens blindados que os alemães tinham, embora não completamente. Não era tão longo, talvez cinco carros, mais ou menos... mas havia algo de errado. Muito errado.
Voss: Era só que o trem estava lá? O que estava errado?
Homem: Eu só vi aquilo por um instante, então eu não tenho certeza... mas pareceu-me que todo homem no trem, era um cadáver. Apodrecido e esquelético. Inferno, o próprio trem parecia que tinha ido ao inferno e voltado. Eu só o vi por um instante, mas isso passou, eu poderia jurar que aquilo não deveria estar se movendo. Tinha ferrugem preso nele, era o que parecia ser ... Parece tão estúpido agora, mas parecia ter grandes buracos de bala em sua lataria.
Voss: Você reportou o que viu?
Homem: Eu não precisei. Meu comandante estava lá comigo. Quando aquilo passou, ele estava branco como um lençol. Ele virou para mim e disse: "Isso não aconteceu, e você não viu nada." Eu nunca argumentei.

19 de Outubro de 1992

Falei com o homem no comprimento, e incluí uma transcrição de nossa conversa neste diário. Apesar de sua história ser fantasiosa, eu tenho que acreditar que ele viu Valquíria. Ele não se lembrava de vê-lo deixar a cidade, no entanto, dada a natureza da guerra, que é inteiramente possível. A visão da tripulação de mortos que me preocupa, mas também me faz pensar se o que eu sempre acreditei, é verdade. É possível que, em suas tentativas, Himmler finalmente encontrou algo? Isso se ele conseguiu encontrar um trem tripulado por mortos para fazer a sua vontade? Tremo só de pensar sobre isso, e ainda assim, muito parece dizer que é verdade. O estado do próprio trem levanta outra questão. Foi atacado no caminho? Essa é uma possibilidade forte, apesar de não explicar a ferrugem. Talvez ele foi confundido com isso. Tenho verificado registros militares do período, e enquanto não há menção de um trem semelhante que tenha sido destruído, a história não corresponde com isso. Provavelmente um dos outros trens blindados que a SS tinha, e que foi fazer o transporte de munições para a frente de batalha.

26 de Outubro de 1992.

Eu não posso escrever, mas sinto que devo. Para colocar no papel o que eu vi, o que eu encontrei. Eu tinha hesitado em fazer isso, e é difícil de acreditar como os dias se passaram desde a expedição. Eu não consigo dormir. Tenho medo de que se eu fechar meus olhos, eu vou vê-lo novamente. Eu sinto essa sensação abstrata, este medo animalesco. Ele está lá fora. Esperando por mim. Faminto por mim.

Entrar no subterrâneo foi fácil, como meu guia tinha sugerido, e embora a caminhada através dos antigos túneis desertos fosse difícil, não era uma grande dificuldade. Nosso maior medo até então era simplesmente os grandes ratos que infestam o curso inferior. Oh, mas isso era a única coisa que nós tínhamos que temer. Como sugerido por meu guia, eu trouxe várias luzes químicas, uma tocha, e algumas ferramentas para lidar com as portas enferrujadas que esperávamos encontrar. Nós andamos através do velho túnel que para nós pareciam ter sido por décadas, embora possa ter sido apenas uma hora ou assim.

Virando uma curva, a área antes de nós se abriu para revelar as plataformas antigas. O grafite nas paredes sugeriu que nós não fomos os primeiros a chegar aqui, e sem dúvida os últimos. Isso me preocupava, porque eu temia que qualquer tipo de artefato na seção do Fuhrer do túnel teria sido tomado. Ao meu palpite, haviam oito faixas na área da plataforma, com grandes escadas de ferro forjado que levaram ao nível da rua. Bem, pelo que parecia, ele teria subido para o nível da rua, se a estação acima há tanto tempo não tivesse sido demolida para construírem estacionamentos e apartamentos. Atravessando as antigas faixas, tivemos que ter cuidado com o nosso passo. Havia uma grande quantidade de água parada, provavelmente a partir de um cano estourado ou infiltração simples ao longo dos anos. Por apenas um momento, eu pensei que tinha ouvido um anúncio de estação, embora, como antes, que provavelmente não era nada mais do que uma memória. Um dos meus próprios fantasmas pessoais elevou minha cabeça mais uma vez.

Explorando a parte de trás da estação, encontramos evidências de que a população de rua de Berlim havia fixado residência aqui, em algum momento, no entanto, parecia que eles não estavam lá há muito tempo. Onde eles poderiam ter ido não era uma preocupação minha, embora isso parecesse interessar meu guia. Talvez ele os conhecesse. Seja qual fosse o caso, eu sugeri que continuássemos. O posto do Fuhrer teria sido localizado em algum lugar como esse, com os trilhos que faziam um loop de volta, assim o trem não precisaria virar. O meu guia sugeriu que fossemos mais para dentro dos túneis em si, como a junção de túnel que provavelmente não seria na própria estação. As faixas neste momento estavam bem mais enferrujadas, banhadas, até certo ponto, com os detritos da decadência humana. Garrafa aqui, lata lá, o cadáver de algo que eu suspeito que seja um cão... ou um rato muito grande. Pedaços de papel, e alvenaria. Todas as provas de idade e decadência.

O primeiro túnel que tentamos, terminava em escombros, onde o próprio túnel tinha desabado há muito tempo. Eu suspeitei que fosse devido à bombardeios de bombas, mas o meu guia notou que estávamos bem abaixo no subsolo. Para ele, parecia que algo havia sido explodido no próprio túnel. Bloqueando qualquer outra passagem.

O segundo túnel estava bloqueado como o primeiro, mas eu notei que o entulho tinha cedido um pouco no topo, e abaixado o suficiente para que fosse possível para um homem se espremer através da abertura. Neste momento, o meu guia recusou-se a ir mais longe, e ao pressioná-lo sobre o assunto, ele declarou que se sentia como se estivesse sendo vigiado. Eu simplesmente classifiquei como covardia, ou talvez quisesse mais dinheiro, então me ofereci a dobrar o seu salário. Ele se recusou. Eu teria que ir mais longe por conta própria.

Eu queria... Oh deus como eu queria, que eu não tivesse feito isso.

A minha avaliação estava correta, e com um toque certo e um pouco de pressão, eu fui capaz de me espremer através da pequena abertura. Desmoronando no outro lado, eu me encontrei em um túnel de lado e, pelo que parecia, era muito mais antigo do que a construção típica. Iluminando a escuridão com minha tocha, eu vi um arco de pedra não muito longe de onde eu estava. desmoronado, sendo o fim do túnel também. Curiosamente, minha lanterna iluminou algo metálico. No começo eu achei que aquilo era apenas uma parte do próprio túnel, mas quando me inclinei, percebi que era um fio trançado. A parte que brilhara estava onde o revestimento externo há muito havia apodrecido. Este fio dava a volta para o lugar onde eu estava, além da caverna anterior, e para dentro de um túnel lateral que eu não tinha percebido antes. Seguindo o fio, cheguei a um daqueles velhos blocos de detonação. Isso me fez pensar. O que quer que tinha explodido no túnel, não fez isso de fora. Não para manter as pessoas fora, como eu havia imaginado, mas tinha feito a partir do interior, quase como se quisesse manter algo dentro. Disse a mim mesmo que isso era um pensamento fantasioso, pois em todo o seu fanatismo, a SS nunca chegou tão longe quanto aqui. Ainda assim ... algo ainda me incomodava sobre isso.

Os cabelos da minha nuca se arrepiaram, e eu senti um arrepio correr pela minha espinha com o que vi a seguir. Diante de mim estavam os restos mortais de um soldado, ainda vestido com o uniforme de guarda-costas pessoais de Hitler. Eu não podia ver como ele morreu, mas eu suspeitava que ele tinha sido morto pela explosão. Os soldados aqui tinham, sem dúvida, feito isso à si mesmos, embora a questão permaneceu : “por quê?”. Eu nervosamente avancei, cuidadosamente colocando um pé diante do outro. Eu não tinha dado cinco passos quando o meu pé esbarrou em algo e eu tropecei. Procurando pela minha tocha, eu ... Eu coloquei minha mão em um crânio. Isso me deu um susto tremendo, e eu recuei para a escuridão, tropeçando em outra pilha macabra. Enquanto meus olhos se adaptavam à escuridão, eu percebi que a minha suposição anterior tinha se provado verdade. Na minha frente estava o resto da equipe de demolição. Nada menos que seis cadáveres, todos em estado esquelético quase perfeito, dispostos no túnel. Os homens pareciam ter morrido fugindo de algo. Como se em seus momentos finais, eles estivessem tentando desesperadamente escapar, apenas para descobrir que o caminho estava bloqueado. Algo, alguma força invisível tinha cortado os homens da cintura pra baixo. Minha suposição anterior sobre a explosão, foi refutada quando constatei isso. Enquanto o homem anterior pode ter morrido em sua própria explosão, estes homens estavam amontoados. Seguravam-se um ao outro no que só poderia ser chamado de medo. Já ouvi histórias dos mortos serem encontrados assim. Das ruínas de Pompéia, até aquelas pobres almas em Hiroshima. Esses homens tinham morrido em puro terror, mortos por algo que eu ainda não tinha visto. Minha mente deu voltas, tentando adivinhar a resposta. Gás, talvez? Isso faria sentido. Essa era a única coisa que fazia sentido. O bombardeio acima tinha quebrado uma bomba química armazenada, e ao invés de fugirem, os homens tinham detonado as entradas para o túnel. Um último ato nobre ... o que lhes custou a vida. Isso tinha que ser a resposta! No entanto, se fosse gás, poderia ainda me prejudicar? Não, minha mente me disse. Já faz mais de 40 anos desde então. Nenhum gás iria durar muito tempo ... não é?

Meu coração agora era um nó na minha garganta, e embora ele me disse para deixar este lugar, minha mente me dizia que avançar. Eles eram apenas cadáveres, e não podiam me machucar. Eles estavam mortos, e eu estava vivo.

Eu cheguei na plataforma depois de alguns minutos de caminhada, durante a qual eu encontrei mais três cadáveres, todos eles no estado similar que dos outros. Cada um deles parecia que estava tentando escapar de algo na plataforma, levando-me a acreditar que o gás os tinha cortado enquanto corriam. Talvez o próprio Himmler, em um último ato de destruição, havia matado aqueles que eram testemunhas de seus crimes. Foi-se a idéia de que uma greve bomba havia causado o dano, sendo substituída pela imagem escura daquele espectro da morte deslizando e matando aqueles que confiaram nele. Aqueles que conheciam os segredos que ele tinha escondido por tanto tempo. Eu acredito que os americanos chamam isso de "sem pontas soltas." Rindo sombriamente para mim mesmo, forcei um sorriso. "Ou talvez o próprio Valkyria tenha comido suas almas." Eu não sei de onde tirei essa ideia, e mesmo agora, enquanto escrevo isso, o medo me agarra. Como eu estava certo ... e ainda, tão errada. Muito, muito errado.

Quando entrei para a plataforma, meus olhos observaram o espetáculo que me aguardava. Na estação, esperando na escuridão, havia um trem. Minha tocha mal iluminava a forma angular, e embora nenhuma luz brilhasse de cima para baixo, parecia que a própria plataforma estava iluminada por uma fonte desconhecida. Aproximei-me cuidadosamente, chegando a tocar o metal frio. Por um momento, apenas por um momento, eu pensei que eu senti uma batida de um coração lá. No entanto, não podia ser, já que trens não estão vivos. Era apenas a minha mente pregando peças em mim. A plataforma em si me fazia sentir como se eu tivesse voltado no tempo. Pôsteres sobre o Fuhrer e da guerra estavam espalhadas nas paredes, e a tinta, apesar de enfraquecido, ainda brilhava. Escondida em uma parede oposta, uma pequena alcova descansava, e, além disso, uma série de escadas. Eles não vão muito longe antes de serem bloqueados, levando-me a acreditar que estes levaram direto para o Bunker do Führer. Como o soldado soviético tinha dito, o próprio trem não era muito longo, sendo apenas cerca de cinco ou seis carros, e fiel à sua palavra, pintado de preto como a noite. Eu olhava nervosamente para a cabine, não sabendo o que eu esperava encontrar, e foi recompensado com um homem mumificado sentado ereto nos controles. Eu voei a partir da cabine, em seguida, os pés mal tocando o chão antes que eu me vi de pé perto de um antigo carro de caixa . Não me lembro de ir para lá, nem me lembro de abrir a porta, embora minha memória agora ainda seja nebulosa sobre o assunto. Eu devo ter aberto a porta, em algum momento, pois não estava aberta quando avistei pela primeira vez a besta esperando na plataforma.

Explorando com minha tocha, eu encontrei mais cadáveres. Mumificados como o homem na cabine, e empilhadas contra a porta, agora aberta, corpos diferentes de qualquer cadáver que eu havia visto antes. Eram almas miseráveis, vestidos com os uniformes listrados dos prisioneiros. A Estrela de David em cada um contava a história, e me fez lembrar mais uma vez dos crimes que cometemos naqueles dias. Judeus. Cada um deles. Levados para este carro, por alguma razão, apenas para serem esquecidos e deixados para morrer de fome quando a guerra terminou. Cada um deles tinha nomes, e famílias, e agora, estão aqui, onde ninguém saberia deles. Havia três desses carros no trem, e eu não precisava abrir cada um para saber que as suas cargas eram todas iguais. Carga humana. Civis. As pessoas que não tinham feito nada de errado. As pessoas que o Reich tinha considerado "dispensáveis". Era um mistério pra mim o porquê desses carros estarem cheios de prisioneiros, e suspeito que resposta esteja no próprio carro de passageiros. Na época, lembro-me de pensar que esses prisioneiros deviam ter sido de alguma importância, talvez reféns que, quando o exército soviético cercou Berlim, foram considerados obsoletos. Jogados fora como lixo quando foi descobriu-se que não seriam mais necessários, quando eles não tinham mais utilidade para Himmler. Pelo que eu sabia, eles haviam morrido no o isolamento muito antes do trem ter chegado ao seu destino, e dos soldados terem encontrado seu destino com o gás.

O último carro era um longo carro de passageiros, e embora eu soubesse que eu tinha terminado a minha tarefa e encontraram o trem, ainda havia o mistério de por que o trem fantasma tinha sido avistado. Eu não sei por que eu esperava encontrar uma resposta lá, mas uma parte de mim disse que a loucura que tinha criado isso, a loucura que poderia explicar como, mesmo depois que os túneis terem sido destruídos, o trem teria sido visto novamente, a loucura que deu esta coisa alguma forma de vida sobrenatural. Como a própria estação, o carro estava bem preservado, e como a estação, ele também continha corpos. Uma jovem mulher e sua filha, pelo que pude dizer, estavam em um dos quartos. Aparentemente, elas tinham morrido em terror, embora eu não pudesse dizer quando isso aconteceu com certeza. A parte traseira do carro era um grande escritório espaçoso, com uma mesa de frente para a traseira. Sentado na cadeira estava um oficial, uma pistola em uma das mãos, com uma mancha escura de seu cérebro estampado em uma das paredes. Ele tinha tirado a sua própria vida, mas isso ainda não respondeu à minha pergunta. Havia uma série de papéis espalhados diante dele, e eu rapidamente os coloquei em minha mochila.

Enquanto eu vasculho o carro, procurando a resposta que eu precisava, eu ouço o som suave de passos. O meu guia tinha finalmente vindo investigar, sem dúvida! Virando rapidamente, eu recuo com horror quando a luz não brilhou sobre o meu jovem guia, mas em um dos cadáveres do carro que eu tinha aberto anteriormente. Olhos sem vida olhavam para mim, com as mãos chegando perto mim. Eu tropecei para trás, apenas para encontrar o caminho bloqueado por outro corpo. Eu sinto suas mãos sobre mim, a respiração fria vindo de seus lábios rachados. Girando em círculos, eu percebi que estes mortos tinham me cercado. Não havia nenhuma maneira de fugir. Eu finalmente soube a verdade escura do porque aqueles homens tinham morrido em fuga. Eles morreram fugindo de seus crimes... Nossos crimes. Não foi nenhum gás que matou aqueles homens. Nem os caprichos do próprio Himmler. Não, foram os mortos, voltando do além-túmulo. Aqueles homens e mulheres, mortos por algum ganho pessoal... Ou por nenhuma razão.
Eu entendi isso agora. Por que o trem tinha sido visto em 1962, por ter sido testemunhado tantas vezes antes, e por que, no dia em que Adolf Hitler se matou, tinha encontrado o caminho para Berlim. Os mortos procuravam vingança... E eles a teriam.

Não me lembro de como eu consegui sair da antiga estação, nem do meu voo saindo daquele lugar. Eu ainda não sei como eu consegui voltar inteiro para o meu apartamento. Pelo relógio, apenas uma hora tinha passado desde que saí, mas eu sei com certeza que ficamos lá em baixo a noite toda. Era como se, e isso parecerá loucura, como se o tempo tivesse parado. Como se eu existisse fora do tempo.

Eu não consigo dormir. Eu vejo a morte olhando para mim. Eles sabem a verdade, eles sabem o que eu fiz, e eles vão buscar sua justiça. O trem não é nenhum trem. Eu sei disso agora. É uma vingança sobre rodas, procurando por outros de nós que escaparam de sua trilha. Arrastando-nos para baixo a pagar uma dívida que finalmente estão cobrando. É só uma questão de tempo para o trem chegar até mim. Eu suspeito que é melhor eu sair e encontrá-lo.

Fim do Diário.

Após a nota final de outubro de 1992, Gunther Voss fez as malas e disse a sua esposa que estava indo em uma viagem. Ele beijou-a na bochecha e saiu. Uma hora depois, a polícia chegou em sua casa para informá-la de que Gunther aparentemente tinha comprado um bilhete, e, em seguida, enquanto aguardava o trem para chegar, tinha se jogado na frente dele como se puxado para a plataforma. Testemunhas afirmam que mais tarde, embora ninguém acreditasse neles, que logo depois que ele fez isso, um trem a vapor preto e estranho com cinco carros foi visto passando através da estação, com Voss já falecido sentado no último vagão.

Após sua morte, seu diário foi encontrado e encaminhado direto para o jornal local, Que depois de le-lo e olhado todos os papeis mandados com ele, viram que valia a pena publicar o que ele tinha. A maioria dos trabalhos estava ilegível, embora um se destacasse por ser único. Este documento, aparentemente escrito pelo próprio Himmler, que estabelecia planos para usar um número de almas inocentes como o catalisador para um grande feitiço mágico que, apostava ele, ajudaria a Alemanha à ganhar a guerra. O feitiço, aparentemente saiu pela culatra, Porem aquelas almas inocentes não ajudaram a Alemanha à ganhar a guerra, mas buscavam vingança pelos crimes cometidos contra eles. O mistério se aprofundou mais ainda em 1995, após o último nazista conhecido que havia escapado da acusação, ter falecido. Dentro de uma semana do falecimento do homem, ao explorar a vastidão alemã, um jovem adolescente encontrou um túnel de trem há muito esquecido. Dentro dele, ele descobriu a forma gravemente queimada e destruída de um trem.

Pesquisadores e historiadores que desceram para o local, identificaram como o trem perdido "Valkyria". Considerando o dano causado a ele, eles supuseram que antes do fim da guerra, o trem havia sido danificado em um ataque aéreo, e buscou abrigo no túnel. Um incêndio aconteceu, provavelmente a partir do dano do ataque, e destruiu o trem. Relatórios militares norte-americanos da área colocaram o "ponto" final na lenda do Valkyria. Um relatório menor feito por um piloto registrou que no dia 6 de junho de 1943, depois de ter escoltado bombardeiros para seu ataque, enquanto retornava, ele encontrou um alvo de uma oportunidade, na forma de um trem. Lembrou-se de metralhar o trem, e viu uma gota de vapor vindo do motor, antes que ele correu para um túnel, mas não saiu. Ele permaneceu na área por alguns minutos, e afirma ter visto fumaça e fogo vindo do túnel, relatando que o trem havia sido destruído.

Foi revelado logo após o diário ser publicado, que Gunther Voss tinha servido como um caixeiro para a SS "Cabeça da Morte" durante a Primeira Guerra Mundial. Ele havia sido convocado principalmente em Auschwitz-Birkenau, onde sua tarefa era registrar os pertences pessoais apreendidos dos prisioneiros executados. De lá, ele foi enviado para Penemunde e Dachau, explicando a vastidão de seu conhecimento pessoal sobre as armas secretas da segunda guerra mundial. Ele também foi um dos réus nomeados em um dos julgamentos de crimes de guerra, embora ele nunca tenha sido capturado.

Ou ele foi?



Creepypasta enviada pelo Sigma e traduzida pelo Mohamed
Bons Pesadelos...

5 comentários:

O Tio disse...

Boa.. mas poderiam mudar o Primeira Guerra pela Segunda Guerra, no último parágrafo... senão perde totalmente a graça.,

Silver Slayer disse...

Pessoal, sei que não tem tipo muito haver com o assunto, mas to escrevendo uma especie de livro, se puderem dar uma olhada http://qualquerumpodeescrever.blogspot.com.br/

Talles Mello disse...

nossa que preguiça de ler isso tudo, sem contar que parece que foi traduzido pelo google tradutor zzzzzzz, volta medo b de antigamente, pleasee!! :/

Rafaella Souza disse...

Que escrita horrível, confusa, sem coerência... A historia foi legalzinha, mas a escrita deixou a desejar.

Kaab Simas disse...

Nossa, o cara no final serviu a SS na primeira guerra mundial? Quando a SS não existia, e fazendo com que ele tenha mais de 80 anos? Mais de 80 e se aventurando por escombors, que disposição...