9 de agosto de 2013

A CORRENTE Capítulo 9 - Estevão Ribeiro

Série A CORRENTE:
(Leia Antes: Prólogo, Capítulos: 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8)



Vocês vão morrê-er! Vocês vão morrê-er! O “guarda” vai primeiro, mas todos vão morrê-er! 

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Com as chaves na mão, a frágil garota negra contempla Roberto aos pés da cama, trêmulo de pavor. Ele tem tentado superar a loucura que o destino lhe impusera desde que recebera a corrente, mas está cada vez mais difícil manter a sanidade. Talvez seja por isso que começou um diálogo com aquela criatura. Uma vez no inferno...
– O q-que você faz aqui? – pergunta Roberto, enquanto dá um passo em direção à garota acamada. – Por que isso está acontecendo?
A garota fulmina-o com os olhos, na ânsia de dizer alguma coisa. Roberto sente passar por ele algo tão gélido que se encolhe de frio, cruzando os braços, levando as mãos à altura dos ombros, esfregando-os. Ele começa a se desesperar.
– Por que eu? POR QUE EU, DROGA? – diz Roberto tremendo, devolvendo à garota o ódio que ela carrega nos olhos. Ele quer pegar a chave a qualquer custo. Ela, por sua vez, parece saber que não aguentaria lutar com Roberto. Então grita.
O que sai de sua boca é um som estridente o bastante para fazer o rapaz recuar. Aquela garota já não lhe parece tão frágil. Ele então olha para uma estátua de bronze em forma de pombo e pega-a. O artefato, que ele empunha como uma arma, é pesado o bastante para abrir um buraco na cabeça da garota e ele, nas atuais condições, não hesitará em fazê-lo se ela não parar de gritar.
– Cale a boca, menina ou eu...
– Você o quê? – diz a voz vinda do canto esquerdo do quarto.
Roberto olha para o lado e, vendo a garotinha negra de oito anos olhá-lo com um ar de reprovação, deixa cair a peça de bronze.
– AHH! Para trás, garota! Ou eu vou te machucar! – exclama Roberto, abaixando-se para pegar a estátua.
Mas assim que se abaixa, no entanto, vê os pés da garotinha à sua frente. Ainda agachado, olha para a menina sorridente.
– Você não vai, não! Afinal... – fala a menina olhando para os olhos de Roberto, com um sorriso diabólico. – ... Não vai querer atacar uma morta, vai?
Roberto ignora a peça de bronze e se afasta do jeito que está, agachado, usando as suas mãos como um par de pernas adicional, sendo detido apenas por uma das paredes do quarto. Tenta distanciar-se o máximo, espremendo-se contra a parede como se quisesse derrubá-la e, se tivesse força, não há dúvidas que o faria.
– Você está morta? – pergunta Roberto para a menina, aterrorizado.
Ela responde com um sorriso que parece distorcer-se ainda mais. Talvez fosse apenas a permanência naquele quarto escuro, onde a imaginação tenta reconstruir um rosto na penumbra, transformando-o em algo bem diferente do que realmente é. Ou talvez aquele local onde Roberto esteja aprisionado seja um fragmento de uma dimensão bestial, onde é servido pelas piores visões de sua vida. Em qualquer hipótese, a situação cheirava a problemas.
– Por que pergunta? Você já sabe a resposta.
– Não, não sei. Quem é você? – retruca Roberto, levantando se devagar, desconfiado.
– Isso você também sabe. – responde a menina, aproximando se dele.
Roberto afasta-se, batendo a cabeça num porta-retrato que havia numa prateleira, fazendo-o cair. Ele o pega, por reflexo. Em meio à penumbra, Roberto olha para a foto que traz um momento de descontração, uma festa de aniversário. A menina negra à sua frente aparece na fotografia, soprando uma vela em forma de oito. Cercada de pessoas, das quais Roberto consegue reconhecer apenas Jorge. Com muita dificuldade, ele lê a mensagem escrita no letreiro multicolorido feito de isopor, pendurado na parede, atrás da aniversariante:
– “Feliz Aniversário, Bruna” – lê Roberto, espantado. – Bruna? – indaga, olhando para a garotinha à sua frente.
A menina acena com a cabeça.
– Você me mandou aquela maldita mensagem?
– Sim e não – responde a menina, indo em direção à garota acamada, quase esquecida por Roberto.
– C-como assim? Ou você mandou ou não! Não existe “sim e não” em algo assim.
A menina olha para Roberto com um olhar inquisitório. Ele vê, por um segundo, os olhos do ser que lhe estripara em sonho e treme. Ela se afasta da garota deitada e vai até Roberto, mexendo os dedos e declamando, em tom de deboche:

– “Olá.
Meu nome é Bruna e tenho dezesseis anos. Gosto de trocar mensagens, de fazer novas amizades pela internet e você foi escolhido para ser o meu novo amiguinho. Eu acredito que construiremos uma bonita amizade”.

Ela dá mais dois passos, mexendo os dedos indicadores de um lado para o outro e, como se comandasse uma grande orquestra, continua:

“E para celebrar nossa amizade, eu lhe darei um presente: passe este e-mail para sete pessoas e eu lhe trarei muita sorte.
“Sei que não acredita em mim, mas lhe peço que, mesmo assim, me ajude a fazer novos amigos.”

Ela termina a encenação olhando-o firmemente nos olhos, de braços abaixados, com um sorriso que beira o bizarro:

“Você não vai contrariar um pedido de uma morta, vai?”

Roberto a olha com a mão no peito, como se quisesse impedir o coração de criar pernas e fugir de seu corpo. Acabou de ouvir o texto do e-mail que recebera há quatro dias, o mesmo que iniciou o inferno em que está.
– Você percebeu? – pergunta a garota, que agora já se sabia o nome – Bruna – para Roberto.
– Percebi o quê?
– Dezesseis, Roberto! “Meu nome é Bruna e tenho dezesseis anos”. Eu aparento ter dezesseis anos?
Aquilo parece inconcebível, porém ele aponta para a cama e indaga.
– Ela é Bruna?
– Também – responde a pequena, acariciando com suas mãos a cabeleira despenteada da outra Bruna, enquanto olha para a cara de interrogação de Roberto.
A pequena Bruna para de afagar a adoentada e, por alguns segundos, emudece. Ela o olha com certa impaciência, como se lhe fuzilasse a alma. Seus olhos não são mais carne, mas sim dois abismos prontos para tragar o infeliz apavorado e desarmado que ali se encontra.
Como por encanto, o olhar da garotinha muda e ela volta a andar de encontro ao hacker.
– Somos parte de uma mesma pessoa. É difícil de entender?
– Não, eu só não consigo acreditar. Lido com coisas reais, tenho certeza que vou acordar em algum momento! – pergunta Roberto, impressionado com aquela criaturinha que se aproximava, fazendo-o recuar, receoso.
Bruna responde com uma gargalhada. Uma risada de deboche, demostrando êxtase ao ver que Roberto, a essas alturas, ainda se espanta com miudezas, quando devia preocupar-se com coisas maiores.
– Beto, Beto, Beto! Acho que foi uma má ideia. – diz a garotinha. Em seguida, olha para a moça deitada que tenta esboçar um sorriso. – Você tem certeza que ele pode nos ajudar?
A garota acamada, com muito esforço, acena positivamente com a cabeça. Ela parece pagar muito caro por cada movimento feito. Para movimentar o pescoço, lacrimeja o bastante para ser visto por Roberto à distância.
– Ajudar como? – indaga o desorientado Roberto. – O que vocês querem de mim?
A garotinha observa-o, desconfiada. Ela não acredita que ele seja capaz de ajudá-las.
– Bem, se ela acha que você pode... – diz a pequena, sendo interrompida por um grito de dor proferido pela Bruna acamada.
Imediatamente, a infante corre para a doente, que voa da cama em espasmos monstruosos. Sua mão esquerda puxa as cobertas enquanto a outra aperta o molho de chaves com tamanha força que a machuca. A pequena Bruna sobe em cima da descontrolada homônima, pondo as suas diminutas mãos perto dos ouvidos da outra, segurando-a com uma força incompatível com seu corpo, forçando-a a encarar-lhe.
– O que aconteceu? – fala energicamente a garotinha para a doente. – Bruna, acalme-se e me diga o que aconteceu!
A Bruna então para de se contorcer e, cedendo à ordem da pequena, olha-a nos olhos. Roberto acompanha a cena com espanto.
Segundos depois, uma exclamação carregada de ódio:
– MALDIÇÃO! – diz a garotinha, soltando a debilitada companheira na cama. – Ela vai estragar tudo!
Roberto olha para a criança, que o ignora. Ela caminha em direção à porta, esbravejando, proferindo palavrões indecorosos até mesmo para o mais desbocado dos mal-educados.
– Tenho que impedi-la de fazer besteira! – diz a garotinha, ao passar por Roberto. Traz no rosto ódio o bastante para intimidar o mais bravo dos homens.
Roberto a acompanha com os olhos, vendo-a chegar à porta do quarto, quando ela se lembra de sua existência.
– Beto, meu querido, tenho que resolver um probleminha. – diz a pequena Bruna, de frente para a porta do quarto, sem se dar o trabalho de virar e olhar para Roberto. – Você vai me esperar, né? – indaga a garota, atravessando a porta como um fantasma, e Roberto, por reflexo, responde com um grito de espanto.
Ao se ver preso com a Bruna adoentada olhando para ele na penumbra daquele quarto, Roberto encosta-se à parede e, agachando-se até sentar no carpete, chora descontroladamente.

No apartamento ao lado, Lídia caminha nervosa, fumando um cigarro atrás do outro pelo escritório que serviu de cárcere para Roberto. O cabo Dante tenta acalmá-la enquanto o soldado Da Matta se encontra na porta da sala, de guarda.
– E-eu não entendo! – diz Lídia, nervosa. – Ele e-estava aqui agora!
– Você tem certeza que trancou ele neste quarto? – indaga Dante, pondo a arma no coldre.
– Claro! Você viu que o escritório estava trancado! Eu não estou louca! – responde Lídia, com raiva.
– Olha moça, eu vi um escritório trancado e uma mensagem no computador – explica Dante, aproximando-se dela. – Não existe nada que o incrimine... A não ser que você saiba de algo mais.
– Vocês viram a mensagem que ele deixou na tela – grita Lídia, que em seguida, percebe que tem uma prova contra Roberto. – Mas é claro! O computador!
Dante não a compreende até vê-la se dirigir à máquina, que ainda mostra a mensagem ameaçadora.
– O computador contém tudo o que eu preciso para provar que ele matou aquelas pessoas. – reinicia o aparelho.
A tela fica escura por alguns segundos. Em seguida, aparece a imagem que indica a inicialização do Windows, mostrando que Roberto não conseguiu formatar a máquina.
Na tela inicial, lugar onde fica boa parte dos ícones de acesso a programas contidos no computador, os dois veem um atalho para um arquivo de vídeo. O ícone traz o nome Lilitop.mpg.
Lídia dá um clique com o mouse no ícone, apenas para selecioná-lo, tornando-o mais visível. Em seguida, ela olha para Dante, como se quisesse consentimento para abrir o arquivo.
O policial não compreende a iniciativa e olha para Lídia, causando um desconforto tamanho nela que se sente obrigada a falar.
– E aí?
– E aí o quê? – indaga o cabo.
– Eu devo abrir o vídeo? – pergunta Lídia, nervosa.
– Sei lá! – o policial levanta os ombros. – Eu não sei nada dessa coisa que você está mexendo! Nunca fui fã desses negócios de internet, computador ou videogame.
– Ai! – suspira Lídia diante do analfabetismo tecnológico do policial. – Esse vídeo tem o meu nome e certamente se trata de alguma mensagem que Roberto deixou para mim.
– Bem, se você acha que é uma mensagem para você, então vamos vê-la! – diz o cabo Dante, pondo a mão em seu ombro. – Quanto mais coisas sabermos do assassino, mais chances teremos de pegá-lo.
Lídia se sente um pouco mais calma. A mão firme do oficial a deixa mais segura e com uma esperança em sua cabeça de que, quando tudo isso acabar, eles possam sair para tomar algo.
O clima é quebrado quando o vídeo toma o monitor do computador. Ambos esperam apreensivos por algo.
A tela escura dá lugar ao rosa. O filme parece ser uma animação. Enquanto Dante dá um sorriso achando que se trata de uma brincadeira, Lídia espera desconfiada.
Desenhos de pombos tomam o espaço rosa, voando de um lado para o outro. Em seguida, espantando os pássaros, aparece uma bonequinha.
Esta bonequinha que passeia pela tela alegremente é negra e traja um vestido branco, e tenta pegar os poucos pombos que ainda não fugiram com a sua presença.
– Ah! Desenho animado! – exlama Dante, esboçando um sorriso. – Seu namorado é quem faz?
– Não – responde Lídia. – Ele nunca mexeu com animação.
– Então, não deve ser nada de importante – afirma o policial. – Esta mensagem não pode ter sido deixada por ele...
– Silêncio! – interrompe Lídia, notando a bonequinha negra parada no centro da tela, olhando para os espectadores. Balança a cabeça de um lado para o outro, balbuciando algo irreconhecível, em virtude do baixo volume do som do computador. – Estou ouvindo alguma coisa.
Ela gira o botão de volume das pequenas caixas de som do computador, aumentando consideravelmente o som. Assim, os dois começam a ouvir nitidamente o que a bonequinha dizia, em forma de uma mórbida canção de roda:

– Vocês vão morrê-er!
Vocês vão morrê-er!
O “guarda” vai primeiro,
mas todos vão morrê-er!

Lídia e Dante gelam. A ameaça daquela bonequinha parece tão palpável quanto mãos em volta da garganta, impedindo-os de respirar. Dante é o primeiro a recobrar-se do abandono momentâneo de sua alma.
– Que piada é essa? – pergunta o policial, mostrando que ainda tem um pouco de coragem.
– E-eu não sei! Eu juro que não sei! – responde Lídia, apavorada. – Mas só pode ser coisa do Roberto!
Lídia continua a dar explicações sobre a nefasta animação até que percebe que Dante já não lhe ouve. Está hipnotizado pela bonequinha que dança no monitor de Roberto, tratado agora como assassino.
– Cabo Dante? – pergunta ao notar o policial estático como pedra. – O que está acontecendo?
Lídia nota que ele começa a tremer, “Talvez por puro nervosismo”, pensa.
– Posso ajudar de algum modo?
O policial continua parado olhando para a tela, cada vez mais trêmulo. O suor que desce pelo seu rosto e braços mostra que está empregando uma força descomunal, e isso assusta Lídia. Ela levanta para sair do escritório de seu ex-namorado, tencionando pedir ajuda ao soldado Da Matta. Quando chega perto da porta, porém, escuta uma voz espremida, pedindo ajuda.
– Moça! Não saia daqui, pelo amor de Deus!
– O quê? –pergunta Lídia, sem entender e ao mesmo tempo surpresa pelo sinal de consciência.
Num segundo esforço, que parece consumir mais ainda as suas forças, Dante fala:
– E-eu n-não sei o q-que está acontecendo, mas...
Instintivamente, Lídia olha para o monitor do computador e vê a bonequinha negra na mesma posição que o policial, ereta, com as duas mãos abaixadas. Em seguida, ela movimenta a sua mão direita, simulando pegar uma arma num coldre e, com os dedos polegar indicador esticados em forma de “L”, conduz a sua mão lentamente em direção à cabeça.
– ... não estou conseguindo controlar o meu braço! – Dante soa desesperado, vendo a sua mão direita pegar a arma e levando-a à cabeça, seguindo a bonequinha do monitor como se fosse um espelho. Ele luta contra o comando da animação da qual não consegue tirar os olhos. Lídia, sem pensar, agarra o braço do policial, na tentativa de impedir que a pessoa que foi incumbida de protegê-la se machuque.
Assistindo tudo com a sua arma imaginária, a bonequinha negra ri.

No apartamento vizinho, Roberto enxuga as lágrimas vertidas pelo desespero e olha para a garota adoentada em cima da cama. Ela continua a ter nas mãos a chave da prisão em que ele se metera para fugir de seu escritório.
No limite da loucura, resolve arriscar um diálogo.
– Você está assim há muito tempo?
Ela balança a cabeça. O que quer que tenha não afetou a sua audição. Aquela adolescente aparenta ter bem mais de dezesseis anos em virtude de seu estado deplorável. Ela o vigia com os olhos, única parte realmente viva.
Roberto caminha em direção à garota acamada com um olhar de compaixão. Sem a estátua de pombo que pensara em usar como arma, para bem próximo à cama.
– Você deve sofrer muito – diz o hacker para Bruna que, depois de um espasmo, vira o rosto e chora.
Sensibilizado com a cena, Roberto senta-se na cama, leva a mão à cabeça de Bruna, tentando alisar a cabeleira despenteada. Encontrando alguma resistência na garota, que esquiva a cabeça de um lado para o outro, ele hesita.
A enferma o encara desconfiada. Ele responde com um olhar firme e piedoso. Estudando melhor o rosto de Roberto, ela fecha os olhos, deixando-se ser acariciada.
A mão de Roberto retoma o trajeto definido anteriormente, acariciando a rala cabeleira seca da garota, que não é tocada há muito tempo. Em um momento único de abertura de guarda, Roberto entende que é a hora.
Com um movimento rápido da mão esquerda, Roberto ataca a mão da garota, chegando a segurar as chaves do apartamento. Mas ela ainda as mantém firmemente, frustrando a abordagem desesperada do rapaz.
Ele briga com a moribunda pela sua única chance de sair daquele lugar, mas a doente aparentemente frágil mostra-se uma adversária forte e que não cederá à sua traição. Praticamente debruçado em cima dela e empregando toda a sua força para obter as chaves, Roberto pode observar o rosto carregado de ódio de Bruna dando lugar a um semblante triste, choroso.
A medida em que ela cede, o choro fica mais evidente. Roberto sabe que está vencendo aquela batalha e alarga o sorriso enquanto a olha nos olhos.
Sua autoconfiança quase o impede de ouvir os ruídos de metal atritando-se com uma pedra. Esse som se repete por quatro vezes antes de Roberto percebê-lo. A primeira lágrima escorre do olho esquerdo de Bruna, passando pela fronte e morrendo no travesseiro.
– Que barulho é esse? – indaga, olhando para todos lados, sem deixar de segurar com força o molho de chaves.
Ele então olha para a adoentada garota com quem disputava a liberdade e se depara com olhos vertendo rios de lágrimas. A boca se contorce em um choro descontrolado e soluçante, acompanhado de gemidos graves, como a voz de alguém que acabara de acordar. Não pode esperar outra condição de sua voz, pois é notório que ela desistira de falar há tempos.
Roberto continua encarando-a e pergunta para si mesmo se o que estava fazendo era certo. Ele pode sentir a angústia daquela garota que, debilitada, emprega seus últimos esforços para segurá-lo ali. Ele continua ouvindo o barulho de metal contra pedra, mas o deixa de lado ao tirar o molho de chaves de sua carcereira.
Com o espólio da batalha nas mãos, Roberto afasta-se, olhando para a vencida e desesperada Bruna. Ele deixa de lado o medo e contempla de longe a garota com quem disputou aquelas chaves e sente algo diferente no ar. Não era a mobília, nem a garota acamada que chorava desconsolada e muito menos aquele ambiente sombrio, ao qual Roberto já está acostumado. É algo que não se pode ver, pelo menos não de longe. Algo identificado apenas pelo olfato: todo o quarto cheirava a álcool.
Assustado, Roberto percebe que sua camisa, assim como as suas mãos, tem resquícios do líquido inflamável. Ele olha para frente e vê uma cena que acredita que nunca irá esquecer:
Bruna está encharcada de álcool, assim como os seus lençóis e cobertores. Seus cabelos despenteados, que antes estavam em pé, agora repousam sobre os ombros, mostrando que a sua cabeça recebera a maior parte do conteúdo inflamável da garrafa branca caída ao lado da cama. Em sua mão esquelética, a moribunda traz um isqueiro que tenta fazer funcionar a todo custo. O dedo polegar gira sem forças o rolo áspero de metal contra a pederneira, na esperança que dali saia uma fagulha, causando o som tão característico. O mesmo som que Roberto ouviu anteriormente enquanto tentava tirar a chave dela.
– Não faça isso! – pede, que o ignora, conseguindo finalmente acionar a pequena chama do isqueiro, e, em seguida, transformando seu corpo e sua cama numa imensa fogueira. Sem muitas saídas, Roberto investe contra a porta trancada do quarto, tentando não sucumbir ao medo quando se vê cercado por labaredas que se alastram impiedosamente em sua direção.


No capítulo 10
“– A japonesinha estava onde eu queria, Roberto! Por que você fez isso?”

Quer ler antes de todo mundo? A Corrente ta só R$2,26 na Amazon na versão pro Kindle!!!

11 comentários:

nadico disse...

sem kerer ofender mais esse negocio de a corrente e chato pra caralho isso ta me lembrando akela bizzarice do pai cicero n entrem nesse caminho de novo

Luiz Felipe disse...

Muito Bom, pena que ter que esperar sexta quem vem.

Daniel Martins disse...

postem os portadores!!!

Pandora disse...

Vc não gosta, mas tem quem goste.
E é pensando em gente como vc que eles fazem 2 ou 3 posts diferentes na sexta feira. Se vc nao curte o livro, leia apenas os posts que te interessam, nao reclame dos outros pq pode desestimular os caras a continuar com algo que tá bom.

João Paulo Mesquita disse...

Odeio o MedoB por ter me viciado nessa serie! É muito legal, aguardo ansiosamente os capítulos toda semana. História boa demais, sempre que leio fico imaginando se ele virasse filme. Parabéns!

Jorge Antonio Alves Junior disse...

Duas observações a serem feitas: 1º- Parabéns ao Estevão Ribeiro. Você conseguiu me prender com essa história, ao meu ver, muito bem contada, me deixando apreensivo e com vontade de não parar de ler! Eu sei que o livro está sendo disponibilizado na íntegra aqui no MedoB mas, mesmo assim, fiz questão de clicar no link, fazer o cadastro na Amazon e adquirir o livro. O preço está super acessível e comprei com prazer. A 2ª observação - Porque na iBookstore o livro está com o preço bem maior do que na Amazon? É devido às tributações da Apple ou tem algum outro motivo? Fui comprar por lá achando que o preço seria o mesmo e não era, por isso fiz o cadastro na Amazon. De qualquer maneira, muito bom! Continue assim Estevão, e parabéns ao MedoB por estar disponibilizando esse livro muito legal (estou ainda no Capítulo 11 =] )

Fernando Thiago disse...

"Vocês vão morrê-er! Vocês vão morrê-er! O “guarda” vai primeiro, mas todos vão morrê-er!" Só eu que li isso na voz do tiririca?

Estevão Ribeiro disse...

Fernando Thiago!!! Se não leram, a partir de agora vão ler! :-)
Oi, Jorge! Obrigado pelas palavras! Eu tenho muito orgulho de A Corrente, porque eu realmente passei um sufoco imaginando as cenas e foram MUITOS pesadelos enquanto escrevia.
Sobre o livro, é simples, meu caro... A versão que está em diversos outros locais é da Draco, com revisão dela, capa feita por ela e tudo, que ainda não foi tirada do mercado. Eu, por discordar do preço, deixei o livro ao preço mínimo: 0,99 centavos de dólar.
Porém, usei a minha versão de texto, uma segunda revisão, apenas o copidesque (uma organização/revisão de texto) da minha esposa. Então, o texto que você tem é mais "original" do que os dos outros (até mesmo o que está sendo postado aqui, que é a versão da Draco). Aproveite!
Pandora, obrigado pelas palavras. Passou para a pessoa o meu sentimento. Se não gosta, passa direto. Deixar o descontentamento num local onde as pessoas só estão tentando fazer um bom trabalho é desrespeito.
João Paulo (nome do meu sobrinho!) obrigado! Faltam 10 capítulos ainda, aguenta firme!

Matheus Silva disse...

VI UM HOMEM AZUL OLHANDO A TOALHA NO ARMARIO DO SOFA!!!!
SERIO ELE TAVA ALI OLHANDO PRO NADA NA UNHA DA LESMA VERDE BEBENDO SUCO DE LARVA IMPORTADO DA SUECIA NORUEGUESA TIBETIANA E DERREPENTE DANÇOU COM A XUXA EM UM FILME PORNO ESTRELANDO O FREDY KRUGER COMASCARA DE JASON ENQUANTO DANÇAVA ALEJANDRO DA LADY GAGA ENQUANTO JOGAVA AÇAÇINES CRIDI E ELA MATOU OS PAIS PRA SER UMA SERIAL KILLER FAMOSA E RICA DE FORTUNA ROSA AZUL MAS INFELIZMENTE SE MATOU DE AIDS E FOI ENTERRADA VIVA MAIS AI NO CAXAO ELA FOI POSSUIDA PELA DERCY GONSALVES E SAIU DANDO PRA TODO MUNDO!!!!! ELA ENCONTROU O EXORISTA E QUIZ DA PRA ELE MAS O EXORCISTA ERA O MARCELO REZENDE E AI ELA DESISITIU DE DA PRA ELE PORQUE ELE E FEIO PRA CARA*** E TUDO ISSO ACONTECEU EM LAVENDER TOWN AONDE O DATENA ERA PREFEITO ERA PAI DA SELENA GOMES QIE EATAVA GRAVIDA DE SATANAS E TEV EUM FILHO AI O PAI DATENA MANDOU MARCELO REZENDE PRA EXORCIZA O GAROTO MAS O GAROTO ERA INEXORCIZAVEL E AI ELE MANDOU O GAROTINHO PRA GUILHOTINA E NA HORA DE MANDAR DECEPAR ELE FALOU:"CORTA PRA MIM" AI O CARINHA QUE MORA LOGO ALI.CORTOU E A CABEÇA DO DESMOIM SE TRAMSFORMOU EM SUCO DE UVA COM SABOR DE MAÇÃ DE LARANJA LIMA AI O DATENA COMEÇOU A GRITAR E TEVE UM INFARTO NO CELEBRO ENTÃO O EDIR MARCEDO VIROU E FAALOU ISSO OBRA DE SANTANAZ!! E COMEÇOU A EXORCIZA A LADY GAGA QUE ESTAVA POSSUIDA PELA DERCY GONSALVES MAIS AI APARECEU O GOKU E TELETRANSPORTOU ELES PRO INFERNO AONDE ENCONTRARAM O JUSTIM BIBER DANDO O F.UREBIS PRUMS 123 DESMONIO E AI O EDIR MARCEDO COMEÇOU A FALAR QUE ERA TUDO CULPA DA GLOBO ENTÃO NO MEIO DAQUILO TAVA A XUXA DANDO PRUM MULEKE DE 12 ANOS E FALANDO "OH!! AI!! VAMOS BAIXINHO!"
AI O MULEKE DA UM.TAPA NA BUN** DA XUXA E DISSE: "QUE FILEZÃO EIM TIA''" AI DAS CHAMAS DO INFERNO.SURGE TONY RAMOS E FALA "E FRIBOY?" AI APARECE O GOKU E TIRA O EDIR MARCEDO DO INFERNO E DIZ AKNDJDKDJDKDJFFKDKNFFKFNF!!! E AI O QUE ACHAM?

T@$$I0 disse...

Na boa lembra um pouco silent hill, cenário q muda de normal para uma versão sombria, uma versão adulta e criança de uma mesma garota que também foi queimada. Mesmo assim ta muito legal a corrente, não to criticando nem nada, mas que é parecido é

Fernando Thiago disse...

Olá Estevão, legal seu conto bem interessante, estou acompanhando aqui no medo b, parabéns.